sábado, 3 de maio de 2014

Trovando Sobre: GUNS N' ROSES - FIERGS, 2014



Tinha tudo para ser um show inesquecível.

Todo mundo com horário flexível, e saída cedo de São Leopoldo.

Todos na “comitiva” eram fãs de carteirinha do Guns N’ Roses.

A “comitiva” era formada por gente fina, elegante e sincera.

Clima perfeito.

Trânsito tranquilo e rápido, exceto nas proximidades da FIERGS (e uma pequena barbeiragem na frente do estacionamento)...

Mas não foi um show inesquecível.

Foi muito mais do que isso.

“Estranged”, “November Rain”, “Sweet Child O’ Mine”, “Don’t Cry”, "Civil War", "Nightrain", “Welcome To the Jungle”, “Paradise City”. Como um show pode ser ruim, com músicas assim sendo tocadas?

A “cereja do bolo”, foi uma versão espetacular de “Used To Lover Her”, canção que não era tocada há anos ao vivo pelo Guns... foi uma espécie de “carinho especial” do tio Axl aos fãs gaúchos.

Axl Rose é um fenômeno da natureza. Um homem de 52 anos que se movimenta durante duas horas e meia de show, como se ele tivesse vinte e dois anos? Um cantor de 52 anos que tem um dos timbres mais marcantes (e altos) da música, cantar tão bem, com tanta personalidade?



Sem contar o carisma do astro... Axl visivelmente respeita seus fãs, e por isso, dá o sangue em cima do palco.

Se tu espera minimalismo, tristeza, e filosofias existenciais, teu lugar, definitivamente, não é em uma apresentação do Guns N’ Roses.

Apesar do lugar não ser dos mais apropriados (a “comitiva” foi unânime, o estacionamento seria muito mais apropriado do que os pavilhões internos), pois o som seria melhor equalizado, e pilares não atrapalhariam a visão de alguns, isto foram detalhes mínimos, já que o evento foi muito, mas muito especial para mim por alguns motivos bem pessoais.

Eu já tinha visto o Guns N’ Roses anteriormente, em duas ocasiões, mas nada, nada mesmo se compara a ir a uma show com AMIGOS, já que nas outras vezes, eu estava sozinho.

Foi o primeiro show da vida do Nica, e isso por si só já tornou o evento único. Era muito legal olhar para cara do amigo, e vê-lo abismado, como se estivesse em outro mundo... A cara de satisfação do Rodrigo, ao encarar filas, ao beber cerveja conosco, ao tirar fotos do show e das outras pessoas, foi especial. Sei lá, foi como apresentar o cara, a um outro universo. O universo místico do Rock N’ Roll, onde os problemas são bobos, e só que importa é a música e a amizade.

Toda e qualquer pessoa que seja fã de música, deve ao menos uma vez na vida, ir a um show ao vivo. É uma experiência de “iluminação”, quase que religiosa.

Sei que o Nica sentiu essa “iluminação”. Ele me contou.

Outro motivo de o espetáculo ter sido tão singular, foi ter tido a companhia do Fausto. O cara é simplesmente o maior fã e conhecedor da obra do Guns N’ Roses que eu já vi. Não sei de nenhum outro "vivente" que conheça e admire tanto a obra do Sr. Axl Rose e seus comparsas (sejam eles quem forem).

Em determinados momentos, eu olhava pro Fausto, e ele só ria. Ele olhava pro palco e ria, ele olhava pra mim e ria, ele cutucava a Franci e ria, quase que não acreditando que, depois de anos acompanhando e apoiando o trabalho do Guns, ele estava ali, frente a frente com a banda.

Em outras canções, o Fausto ficava calado e imóvel, quase que em transe... Atento a todos os detalhes.

Em certas músicas do show, a gente se abraçava (Nica, Fausto e eu) e berrava o refrão da música, tamanho o nosso encantamento naquela noite mágica.

Parecíamos crianças no parque de diversões.

Notei que a Graci e Franci também gostaram muito do show, mas elas são mais comedidas e contidas do que nós homens... beeeem mais.

Sem dúvida, foi um dos melhores shows que eu já vi na vida, pois além da música maravilhosa e imortal do Guns, eu estava cercado de pessoas extremamente queridas por mim... Meus irmãos, minha amigona do peito e o meu amor.

Faz um mês que tive uma das melhores noites da minha vida.

Eu nunca vou me esquecer do dia 03/04/2014.



Obrigado Graci, Nica, Fausto e Franci por terem sussurrado “alone” comigo nessa noite inesquecível.



Abraço.

quarta-feira, 30 de abril de 2014

Trovando Sobre: ARETHA FRANKLIN


Deus existe?

Existem no mundo, algumas “obras divinas” que talvez confirmem a existência do Senhor para a humanidade. Os oceanos, a chuva, os animais e a natureza são algumas destas “obras”.

Aretha Franklin também pode ser considerada uma “obra divina” do bom Deus.

Filha de pastor evangélico, foi cantora gospel na igreja do pai desde os 06 anos de idade (diz a lenda que com cerca de 08 anos, constantemente levava os fiéis as lágrimas com o poder de suas performances).

Aretha é a Rainha do Soul, (estilo musical que é a mistura do rhythm and blues e do gospel) o estilo musical mais difícil entre todos os outros de cantar.

Ativista desde a década de 60, lutou incansavelmente pelos direitos civis dos negros e pelos direitos das mulheres.

Na marcha dos direitos civis em Washington, no ano de 1963, cantou, tendo ao seu lado, Martin Luther King, e em 2008, cantou na posse de Barack Obama, atendendo ao pedido feito pelo próprio presidente dos Estados Unidos, tamanha admiração que Obama tem por Aretha.


No meio da década de 60, cansada de atender a padrões estéticos e sociais ditatoriais, decidiu se vestir apenas com túnicas africanas e parar de alisar o cabelo, deixando-o no estilo “Black Power” e entrou de cabeça no ativismo político.

É pena que hoje em dia, mulheres instruídas, reconheçam Madonna, Cher, e “Valeskas da vida” como “símbolos máximo de feminismo” e “representantes dos direitos das mulheres” e desconheçam ou ignorem a autoridade desta, que arriscou sua carreira, e até mesmo, sua vida, por ideais de igualdade.

Mas não dá pra se esperar muito de alguns, já que em pleno ano de 2014, até mesmo, uma negra ser eleita como a mulher mais bonita do mundo ainda cause espanto, repúdio e demonstrações de preconceito em redes sociais...

O preconceito de alguns não envelhece, pois usa muita maquiagem...

Em 1967, Aretha regravou a canção “Respect” de Otis Redding, que nada mais é do que um dos maiores manifestos de igualdade entre homens e mulheres, de uma maneira tão sublime, tão maravilhosamente perfeita, que o próprio Otis Redding, reconheceu a superioridade da versão da cantora. Dá pra imaginar isso? Superar um dos maiores cantores e performers de todos os tempos?

Aretha não pede simplesmente respeito (ao pai, ao marido, ao chefe, ao delegado, ao político, aos filhos ou aos irmãos...).  Ela exige respeito.



Beatles, Stones, Carole King, Lieber & Stoller, Elton John, Bob Dylan, Curtis Mayfield, Smokey Robinson, Marvin Gaye... Aretha regravou esses, e outros gênios, e fez versões tão boas, ou em certos casos, até melhores do que as originais.

Se canções do porte de “No, Not My Baby”, “Don’t Play That Song”, “Chain of Fools”, “Border Song”, “People Get Ready”, “Angel”, “Something He Can Feel”, “Sparkle” não mexerem contigo, sinto te informar, mas tu está morto e não sabe.

Eu apenas quis prestar aqui, neste espaço uma pequena homenagem ainda em vida, a esta grande mulher e artista, que de forma monumental, deixou sua marca neste mundo.



Quando Aretha canta, eu acredito.



Tchau.


domingo, 27 de abril de 2014

Trovando Sobre: 50 ANOS DO PRIMEIRO DISCO DOS ROLLING STONES

No dia 16 de abril de 1964, o primeiro disco dos Rolling Stones, chamado de “England’s Newest Hit Makers” foi lançado.

Há 50 anos atrás.




Quando lançado, o disco não chamou muita atenção logo de cara, mas semanas depois estourou de uma maneira gigantesca, já que naqueles dias, garotos bonitos (e brancos) tocando rhythm and blues era algo tão inovador que chegava até a ser mesmo chocante para algumas pessoas.

Naquele período, ainda com muito “ranço” dos anos 50, o racismo e a intolerância eram comuns, portanto garotos brancos “se rebaixando ao nível de negros” e tocando aquelas melodias primais e selvagens e cantando aquelas letras repletas de carga sexual e inquietude eram uma abominação só!

Imagina só... O “tiozinho” pai de família, ver de um lado da vitrola o seu filhinho criado pra baixar a cabeça e dizer “sim, senhor”, ser instigado a questionar valores morais, éticos e até mesmo sexuais!

E do outro lado da mesma vitrola (ou na TV), ver a sua filhinha donzela rebolando e morrendo de tesão por Mick Jagger, Keith Richards, Brian Jones Bill Wyman ou Charlie Watts?

Que coisa, não?

Pois é, os Rolling Stones incluíram a palavra “sexo” no famoso slogan “sexo, drogas e Rock N’ Roll”.

Os Beatles abriram os caminhos para todos (e antes deles, Elvis), mas John, Paul, George e Ringo tinham uma imagem mais limpa, mais de “bons meninos”... Os Stones sempre foram os maiores “bad boys” do Rock (influência máxima de bandas como Guns N’ Roses, Aerosmith, Kiss entre tantos outros).

Keith Richards, certa vez disse: “Eles (Beatles) tinham o ‘Rock’, mas não tinham o Roll’”.

Que malvadeza do Keith...

Os Stones sempre foram a melhor banda de bar do mundo, portanto, suas canções (ou covers), eram mais “dançantes”, com mais “suingue” que as melodias e arranjos complexos dos Beatles.

E Mick Jagger foi o melhor imitador de James Brown da História. Olha só:



Os Beatles eram cérebro e coração, os Stones eram cintura e pélvis.

Este “England’s Newest Hit Makers”, é basicamente, um uma série de covers de R&B (“Now I’ve Got a Witness, Route 66, Carol, Walking the Dog e Not Fade Away) e blues (I Just Want To Make Love To You, I’m a King Bee, Honest I Do e Little By Little) e conta com apenas uma canção original de Jagger e Richards (Tell Me).

O disco é excelente e altamente recomendável, pois mesmo as versões não superando as canções originais, o álbum é um marco na história do Rock N’ Roll, e sua importância é impossível de ser medida, ou simplesmente descrita em palavras por este mero aprendiz que vos escreve.

Comprei a minha cópia por volta de 1999, 2000, na loja Multisom da avenida Independência aqui em São Leopoldo, naqueles balaios de ofertas de R$14,90.

Os R$14,90 mais bem gastos da minha vida.





Eu sei, é só Rock N’ Roll... Mas eu gosto.

Abraço.


quarta-feira, 23 de abril de 2014

Trovando sobre: BIOGRAFIAS DO ROCK



A melhor coisa dos aniversários são os presentes, certo?

Pois então, no meu último aniversário, ganhei de presente de um grande amigo, a biografia do gênio Bruce Springsteen, chamada apenas de “Bruce”, que estou devorando noite após noite.

Como a leitura está maravilhosa e prazerosa, para este post, pensei em listar algumas biografias sobre músicos de rock, que li e achei muito legais, por isso as indico aqui...

São elas:


“A Vida e a Época de Little Richard” de Charles White.


O segundo livro que li por inteiro na minha vida. Eu estava na sétima ou oitava série, e achei esta joia atirada na biblioteca da escola Polisinos. Eu estava começando a curtir o bom e velho Rock N’ Roll, e a capa me chamou a atenção, já que de cara, nota-se a frase de Mick Jagger: “Little Richard é o Rei”, está em destaque.

O livro além de contar sobre a vida tresloucada de Richard, que é negro e homossexual, e é natural de Macon, na Geórgia, um dos estados mais intolerantes e preconceituosos dos Estados Unidos, dá uma panorama geral de como eram os costumes e a cultura (ou a falta dela) naqueles dias na América “branca” (comportada e quadrada).

Uma das muitas curiosidades que o livro revela é sobre o famoso grito A-wop-bop-a-loo-wop-a-wop-bam-boom”, que Little Richard entoa, na canção Tutti Frutti. Esta junção de letras, era a maneira que Richard extravasava a raiva, quando era lavador de pratos em uma lancheria de rodoviária, e ouvia desaforos racistas de seu patrão na época.

Aqui faço uma confissão: Não devolvi o livro para a biblioteca, e o tenho até hoje...
Mil perdões, Polisinos!!!



“Vida” de Keith Richards.


Se um dia, uma guerra nuclear assolar o mundo, somente duas espécies irão sobreviver. As baratas e Keith Richards. Acredito fielmente nisso, já que lendo este livro, escrito pelo próprio artista, fiquei sabendo de histórias tão malucas e escabrosas que cheguei a esta radical conclusão.

É muito divertido ler histórias sobre drogas e confusões e ficar sabendo de detalhes sórdidos, como por exemplo que John Lennon tinha uma resistência muito baixa quando se drogava, e sempre fazia algum tipo de fiasco, a prisão após uma batida em sua casa, no momento de uma orgia com a linda (na época) Marianne Faithfull e mais alguns amigos amigas, e a verdade sobre o mito de que Keith, e sua namorada Linda, trocaram todo o seu sangue, já baleado pelas drogas, em um procedimento na Suíça, entre outras histórias mirabolantes.

Entretanto, também é muito legal poder ver Keith detalhar em palavras, como criou os “riffs” mais clássicos do Rock, além de assumir a autoria de algumas letras, creditadas somente a Mick Jagger (Angie, por exemplo).

O livro é uma leitura obrigatória para quem gosta de Rock.



“Mais Pesado que o Céu” de Charles R. Cross.


Aqui, a coisa é um pouco mais sombria.

Nessa minuciosa biografia, o autor investiga e relata a vida de um dos grandes compositores da história do Rock, o líder do Nirvana, Kurt Cobain.

Kurt Cobain foi um cara que sofreu a vida toda, pois desde criança, sempre se sentiu indesejado, fraco, deslocado e com uma auto estima baixíssima.

Mesmo quando era muito elogiado por seu trabalho e ganhava prêmios e lotava shows ao redor do mundo, Kurt sempre enxergou a si mesmo, como um nada, como um zero à esquerda. Kurt não compreendia o motivo de tamanho reconhecimento à sua arte.

Filhos de pais doidos e ausentes (certa vez, o Kurt chegou em casa depois de uma festa, e viu sua mãe fazendo sexo com um de seus amigos), Kurt também tinha sérios problemas de saúde e um vício alarmante em heroína.

O livro vai fundo na vida e na psique do músico, mas peca em alguns detalhes, como a a “babação” de ovo do autor com Courtney Love, a viúva de Kurt.

O motivo desta “babação”, é que o livro de Charles R. Cross, é a única biografia oficial e reconhecida de Kurt Cobain, portanto, muito provavelmente, Courtney só deu o “ok”, quando algumas partes ficaram a seu gosto.

Mesmo assim, o livro é muito bom e vale a leitura.



“Eu Sou Ozzy”, de Ozzy Osbourne.


Afinador de buzinas e Sacrificador de animais em matadouro, são alguns dos trabalhos já desempenhados por John Michael Osbourne em sua vida “mucho louca”. Ozzy já cumpriu pena na cadeia quando tinha dezessete anos por roubo e bebeu tanto quanto o volume do Oceano Pacífico de cerveja e whisky e cheirou a mesma quantidade de cocaína que Pablo Escobar produziria em 150 anos.

Se por um lado tu fica meio chateado ao perceber que Ozzy teve uma infância muito complicada (além de ter dislexia, o que atrapalhou seus estudos, foi vítima de abuso sexual), tu dá ótimas risadas com as histórias que o “madman” conta, e em muitos casos, ele ri junto das pataquadas que ele se metia quando estava doidão.

“Eu sou Ozzy”, foi um livro que eu lia e sempre ria de alguma coisa escrita em QUALQUER capítulo. Em um determinado capítulo, Ozzy conta que, após o primeiro disco do Black Sabbath, ele chega em casa todo empolgado e bota o disco para tocar e chama seu pai e sua mãe para ouvir, quando que após ouvir as primeiras músicas, seu pai diz para ele: “Ozzy, você tem certeza que só bebe de vez em quando?”.

Risadas à parte, Ozzy conta em detalhes, como foi desde os primeiros dias, até hoje, todo o processo de formação do Black Sabbath até a sua bem sucedida carreira solo.



“The Beatles – A Biografia” de Bob Spitz.


Ao contrário da biografia oficial, “Anthology”, esta biografia detalhada do autor Bob Spitz, não é só “flores e sorrisos”.

Nesse livro, os bastidores das vidas dos Beatles são trazidos à tona de forma implacável e sem condescendência. O livro fala e muito, sobre as canções, sobre os discos, sobre as composições e todo o trabalho maravilhoso que os Beatles fizeram em sua carreira, mas Spitz, conta também, as marras, as fofocas e as intrigas que cercavam a maior banda de Rock de todos os tempos.

Relatos de gente que trabalhou de perto com os músicos e até parentes, revelam obscuridades que alguns fãs não conheciam, e outros, não sabiam afirmar se eram boatos ou fatos (o vício de Lennon e Yoko em heroína, o alcoolismo de Ringo, a personalidade dificílima de George Harrison e a liderança “tirana” de McCartney, por exemplo).

“Anthology” só supera este livro em um aspecto: as fotos raras (e até inéditas em alguns casos).

Digamos que “Anthology” é o lado “A” e “The Beatles - A Biografia” é o lado “B” dos Beatles.







Um abraço. 

quinta-feira, 17 de abril de 2014

Trovando Sobre: GRANDES HISTÓRIAS EM QUADRINHOS - PARTE II

Seguindo com a proposta de listar aqui, algumas histórias em quadrinhos muito significativas, pelo menos pra mim, cito mais cinco daquelas do tipo “tem que ler, e pra ontem, se possível”!

São elas:

Caveira Vermelha – Encarnado


Não sou muito chegado em histórias em quadrinhos criadas nos dias de hoje, mas esta é uma maravilhosa exceção.

Roteiro primoroso, que mostra desde a infância até a ascensão, como símbolo máximo do nazismo, do jovem Johann Schmidt, mais conhecido como Caveira Vermelha. A história mostra como Johann sempre foi um psicopata frio e sem considerações positivas sobre nenhum outro ser humano. A primeira parte, em especial, é muito perturbadora (envolve crueldade com animais). Fazia muito tempo que eu não lia algo tão bom, em termos de entretenimento, mas ao mesmo tempo, tão rico em detalhes históricos (verídicos). Este gibi, poderia ser usado facilmente, em aulas de história nas escolas.

A parte gráfica é uma show à parte. Desenhos muito bonitos e expressivos, especialmente nos rostos dos personagens, e nas cenas mais emblemáticas. A capa do encadernado e as capas dos capítulos internos remetem aos cartazes da famigerada “propaganda nazista”, um trabalho extremamente bem feito e esteticamente impecável.



X Men – O Conflito de uma Raça



Um fanático religioso, com grande apelo popular, ataca sem misericórdia na TV, os mutantes, pois os considera “aberrações”, “anomalias de Deus”, e outras baboseiras sem pé e nem cabeça. Esse fanático incita a violência contra esta minoria, e inclusive, financia um grupo de “extermínio de mutantes”, onde nem mesmo crianças são poupadas.

Não, tu não está lendo o roteiro do jornal do SBT.

Tu está lendo sobre o tema desta profunda história em quadrinhos, escrita no início da década de 80.

Em determinado momento, X Men resolvem intervir e contam com a ajuda de um aliado improvável, o inimigo e mutante mais poderoso de todos, o grande Magneto.

Uma história muito triste sobre preconceito, intolerância e crueldade, com as pessoas consideradas “diferentes”.

É incrível como certas histórias, mesmo escritas há tanto tempo, ainda hoje, são atuais.



Homem Aranha – A Morte de Jean DeWolff


Esta aventura retrata uma passagem difícil na vida do Aranha. Talvez seja assim, porquê o herói não enfrenta nenhum supervilão, e sim, a maldade (ou a loucura) de um ser humano “comum”.

Um assassino serial chamado “Devorador de Pecados”, saí por aí dando tiros de espingarda calibre 12, em qualquer um que ele julgue “impuro”. O maníaco crê que, ao matar as vítimas, ele as redime de seus pecados, assumindo para si, o fardo e a desonra de ser um “pecador”.

Uma das vítimas do criminoso é a capitã da polícia de Nova Iorque, Jean DeWolff, amiga do Homem Aranha, e que conforme ele descobre posteriormente, estava apaixonada pelo herói.

A história é impactante, pois em certo momento de descontrole e indignação, o Aranha cai na armadilha do “olho por olho, e/ou justiça pelas próprias mãos”, e espanca o criminoso de forma violenta e impiedosa.

Um belo retrato das obscuridades da alma dos homens e do que é ser “herói” ou “vilão”.




Batman – Gritos na Noite


Uma das histórias mais sombrias e tensas do Homem Morcego. Lindamente desenhada e escrita.

A temática é pesadíssima: Batman investigando um caso onde, abusadores de menores estão sendo brutalmente assassinados em Gotham City.

E quando eu digo brutalmente, pense em BRUTALMENTE MESMO. A história te prende de uma maneira, e mesmo sendo dividida em duas partes, é impossível ler a parte um e não ler a parte dois logo em seguida.

Em certos momentos, eu tive de reler certos diálogos, tamanha a densidade do texto.

Nessa história, Batman enfrenta o pior inimigo de todos, a sua própria incapacidade de estar em todos os lugares, e ajudar a todos que necessitam ser protegidos.

Soube dessa história há pouco tempo atrás, e fiquei chateado por não a ter lido antes, já que trata-se de uma história antiga, lá do início dos anos 90.





Homem Aranha – O Menino que Coleciona Homem Aranha


Para muitos, a mais linda história de quadrinhos de todos os tempos. Quando eu li pela primeira vez, eu devia ter uns nove anos de idade, e eu morava no Bairro Santo André em um chalé, e a vida não era das mais fáceis. Eu lembro que fiquei por horas pensando naquela história depois de terminar de ler.

O Aranha visita um menino chamado Tim que é seu fã número um, e que devia ter a mesma idade que eu tinha na época, em um quarto, e lá conversam e tem a chance de se conhecer um pouco melhor. Enquanto se passa a história, pode - se ver recortes de jornal de uma matéria sobre Tim, e seu desejo de conhecer o Homem Aranha.

Em determinado momento, o menino pede ao herói que lhe diga o seu verdadeiro nome, e jura que manterá o segredo da identidade secreta do ídolo.

O Homem Aranha não apenas diz o seu nome verdadeiro, como tira a sua máscara e revela seu rosto ao novo amigo.

Por fim, após a noite mágica, onde se divertiram muito, o Aranha se despede e dá um abraço no menino, lhe dizendo o quanto aqueles momentos foram especiais e únicos.

Então o Aranha sai pela janela, e sob um muro, tira a sua máscara e chora copiosamente.

Neste muro, está uma placa, onde está escrito: “Hospital do Câncer”.



Espero que gostem.


Um abraço.

sábado, 11 de janeiro de 2014

Trovando Sobre: POR QUE VER O GUNS N' ROSES EM 2014?


O mundo hoje, é comandado por dois extremos: Os chatos conservadores e os chatos liberais.

Algumas pessoas criticam as coisas sem nem ter um mínimo conhecimento embasado sobre o que estão falando, ou criticando. "Pessoinhas" como o tal de Danilo Gentili, um homem com o cérebro de um guri de quinze anos, punheteiro e repetente da quinta série. E a mesma coisa acontece com aqueles que se ofendem com tudo, com qualquer coisinha dita e não compreendida em suas mentes castradas, gente como fãs do "santo" Roberto Carlos e do Luciano Huck. 

Nos tempos atuais, vida social é Facebook. Filmes, só baixando na internet (música idem). Cinquenta Tons de Cinza e Paulo Coelho são "literatura". Gibis, eu prefiro nem falar...

Quando o jornal noticiou que o Guns N' Roses, retornaria a Porto Alegre para fazer um show eu li algumas coisas absurdas no Facebook. 

"Tudólogos" dizendo que "não pagariam pra ver aquela velha gorda e sem voz", e que o Guns hoje é "uma piada", só com  Axl Rose, como único membro original na formação atual, curiosamente, quem chamou o cara de gordo, também está acima do peso, e quem reclamou da formação, é fã (e toca em uma banda cover) de uma banda em que NENHUM membro original faz parte.

Coerência zero, né meus queridos "tudólogos"?

Eu vi dois shows do Guns na minha vida. O primeiro em 2001 no Rock In Rio 3 no RJ, foi um acontecimento. A banda estava há anos sem se apresentar ao vivo, e foi praticamente, "formada" para tocar no festival. Axl Rose recrutou excelentes músicos que deram conta do recado e alguns deles, até hoje estão na banda.

No show do Rock In Rio eu estava beeem longe do palco, mas curti muito o show, pois a performance da banda foi descontraída e fluiu muito bem para quem assistia, mesmo sendo o show de uma banda "novata".

Detalhe: Eu fui pra ver o Oasis, que abriu pro Guns N' Roses.

O segundo show da banda que tive o prazer de ver, foi em Porto Alegre, na Fiergs (mesmo local do show de 2014), em 2010. Desse show, eu digo apenas que, foi um espetáculo de proporções nunca vistas antes no RS. Apesar dos percalços e do atraso de 5 horas (a banda viaja com dois palcos, e o palco que viria a Poa, estava no RJ, mas devido a um temporal, o palco foi danificado e banda teve de mandar vir às pressas, um palco que estava sendo montado na Argentina).

Mas apesar desses problemas, o show foi incrível. A banda tocou algumas canções novas do excelente disco "Chinese Democracy", com um tesão fora de série, e os destaques foram o baita guitarrista DJ Ashba, e o "batera monstro" Frank Ferrer. Músicas como "Madagascar", "Street of Dreams" e "I.R.S.", não deixam nada a desejar em relação ao repertório clássico da banda.

Mas o ponto forte da noite foi o vocalista Axl Rose. 



Alguns fatos sobre Axl: ao contrário do que fazem os integrantes do Coldplay e do Keane, Axl prefere estar em festas do que se trancar no quarto e escrever no seu diário. Axl ainda bebe e fuma. O timbre de voz de Axl é altíssimo e "rasgado", e até hoje, um dos mais altos do Rock. Axl é um tiozinho de 51 anos.

Em mais de duas horas de show, ele não parou um minuto sequer de correr e agitar o público, dando visivelmente o máximo de si, para divertir e entreter o seu público. Em algumas canções, parecia que o cara ia cuspir os pulmões, tamanha a força que ele fazia para alcançar certas notas.

Em algumas músicas, a voz estava boa, em outras nem tanto, mas chegava a ser comovente ver o esforço do cara. É pena que algumas pessoas esperem que um cara de 51 anos tenha a mesma voz de quando ele tinha 26...

Eu penso da seguinte maneira, e isto é apenas a minha opinião (de ranzinza): Se tu quer perfeição, porra, vai ouvir os cd's! Se tu quer se divertir, ver um ídolo, um cara que significou ou que ainda significa algo pra ti de perto, conversar com gente que também é fã assim como tu também é, tu vai ao show. Beber e ouvir música boa, o que tu pode querer mais?

Shows ao vivo tem que ser divertidos, pra quem assiste e pra quem faz. Tu vai sabendo que vai ver algo especial, que te dará recordações maravilhosas. Um show desses é uma coisa sem preço. Ouvir ao vivo clássicos imortais do Rock como "November Rain", "Paradise City", "Estranged" e "Welcome To The Jungle", entre outros,  com um copo de cerveja de mão é algo inestimável.

A música é muito mais do que notas certas e barrigas saradas, e shows ao vivo são como a vida, imperfeitos, e em muitos casos, imprevisíveis, por isso, quando tu ir a um show, tu tem que estar preparado para tudo. Ir a um show ao vivo pelo menos uma vez na vida,  é algo que eu recomendo à todos, pois é uma experiência única, e que só acrescenta à nossa existência


Por esses motivos, e por alguns "pilas", vou lá, criar mais recordações maravilhosas.




Mais alma e menos "cérebro", crianças.  



Abraço.






quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Trovando sobre: THE BEATLES - ON AIR - LIVE AT BBC VOLUME 2

Eu não gosto de dar conselhos pra ninguém, mas vou me arriscar a dar um aqui...

Se você, leitor, tiver muito amor, carinho, respeito e admiração por alguma outra pessoa neste planeta, faça o seguinte: Saia agora de casa e compre o cd duplo "On Air - Live At BBC Volume 2", e dê de presente de Natal para a pessoa que você considera especial.



Comprei o cd agora de manhã e não consigo parar de ouvir e de sorrir... Nessa ordem, mesmo.

Em primeiro lugar, só o prazer de tu entrar em uma loja de cd's e pedir pelo "novo cd dos Beatles", já não é demais? Dá uma sensação de satisfação, de orgulho, sabe? 

As músicas foram gravadas na clássica rádio britânica BBC de Londres, entre 1962 e 1965, e foram tocadas ao vivo, enquanto um locutor muito boa praça e engraçado interagia com a banda e os "apresentava" ao público.

O repertório além de composições próprias como "If I Feel", "Do You Want To Know a Secret", "She Loves You", "This Boy", traz covers de clássicos do Rock N' Roll e do R&B como "Boys", "Chains", "Please Mr. Postman", "Long Tall Sally", e duas gravações inéditas, o standard "Beautiful Dreamer" e a maravilhosa "I'm Talking About You", do genial Chuck Berry.



As performances são tão maravilhosas, tão viscerais, tão divertidas, tão energéticas que fica difícil fazer qualquer outra coisa além de ouvir exaustivamente o álbum. São mais de cinquenta canções que passam com se fossem seis! 

Tu pode ouvir tudo ali. A rapidez do punk em certas canções (You Can't Do That), as vocalizações e harmonias que CRIARAM a música pop (Anna), o "peso" das guitarras (Roll Over Beethoven). Está tudo ali. Todas as respostas, pode acreditar em mim.

É muito legal poder conferir a banda, que tocava profissionalmente há aproximadamente dezoito  meses, naquele estágio inicial, onde todos são amigos, riem das palhaçadas uns dos outros e estão tocando juntos, no mesmo ambiente por puro prazer, por puro tesão. Além da diversão, nota-se que mesmo "amadores", John, Paul, George e Ringo já eram incomparavelmente melhores do que TUDO  que se ouve hoje em dia.

Na introdução do "encarte - livro" Paul Mccartney diz, em um momento surrealmente modesto que "eles até que não eram ruins para uma bandinha iniciante"... Paul, meu amigo, meu camarada...  No dedão do teu pé direito tem mais talento que o Metallica, a Madonna, o Oasis e o Radiohead jamais terão, nem que morram e reencarnem 388 vezes.

Ao ouvir esse disco, tu, ou a pessoa presenteada, vai ter uma sensação boa, de leveza, de alegria na alma... Digamos que você esteja em um momento difícil na vida, e todo dia pela manhã, um bom amigo, levanta cedo, só pra te desejar um bom dia, pra te desejar força e sabedoria, via mensagem de celular... Essa é a sensação que a audição desse cd transmite ao ouvinte.

Esse disco tinha que ser vendido em farmácia, com o rótulo de "Viagra de Alma".



Espero que o curtam tanto quanto eu curti.




Abraço.