segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Trovando sobre: OS ARTISTAS MAIS IMPORTANTES DO ROCK N’ ROLL – Parte II

Nesta segunda parte, vou listar os outros sete artistas que foram vitais para a construção daquilo que viria a ser o Rock, sem o “Roll”. Apenas para relembrar aos amigos, considero como o fim do Rock N’ Roll, o surgimento dos Beatles, pois quando surgiram, os Beatles somaram influências de outros tipos de música, além do Blues e do Country, ao Rock N’ Roll.

O Rock N’ Roll existiu de 1954 a 1962.  Durante este período, artistas maravilhosos reinaram, mas alguns deles, são constantemente esquecidos, ou relegados em listas, como a que a revista Rolling Stone fez e que inspirou este texto. Pretendo aqui, prestar uma homenagem e fazer justiça aos heróis do passado.

Segue o baile:



Bo Diddley


Com sua "guitarra quadrada”, foi o artista que trouxe a batida dos tambores africanos ao Rock N’ Roll. Bo fazia uma espécie de “percussão”, tocando essa guitarra criada por ele, e que tinha um som grave, hipnótico, justamente como se a guitarra fosse uma espécie de "tambor de percussão". Sua voz também era forte, encorpada e possuía um grande alcance.  Suas canções eram sempre autobiográficas e por vezes, recheadas de frases de efeito contra o “homem branco opressor”.

Influenciados básicos: Rolling Stones, Led Zeppelin, The Who, Deep Purple, Iggy Pop, entre outros.





Buddy Holly


Os três primeiros álbuns dos Beatles, são praticamente 100% inspirados por Buddy Holly. As melodias suaves e ternas, os backing vocals atuando com um destaque bem realçado, as letras falando de amor, e os vocais de John Lennon Paul Mccartney copiando descaradamente a entonação deste genial cantor, compositor e guitarrista texano. Paul Mccartney idolatra tanto Buddy Holly, chegando ao ponto de adquirir todos os direitos autorais de suas músicas e organizar um festival anual em Lubbock, no Texas (terra de Holly), em homenagem ao artista. Buddy Holly tinha um talento descomunal para compor clássicos, que até hoje são pilares do Rock. Morreu precocemente aos 22 anos, em um acidente de avião, que matou também o cantor Big Bopper e o cantor e guitarrista Ritchie Valens (autor de La Bamba), que junto de Holly, faziam turnê pelo interior dos Estados Unidos. O dia do acidente que matou os três astros, ficou conhecido como "o dia em que a música morreu". 

Influenciados básicos: Beatles, Rolling  Stones,  David Bowie, Lou Reed, The Kinks, Creedence Clearwater Revival, Neil Young, entre outros.





Johnny Cash


O “Homem de Preto”.  Junto com Jerry Lee Lewis, pode ser considerado um dos primeiros punks da História. Johnny Cash  começou como artista de gospel e country, mas acabou indo para o lado do Rock N’ Roll, quando compôs a clássica “Folson Prison Blues”, em 1955, o seu primeiro grande sucesso. Cash vivia entre o sacro e o profano, e certa vez, disse que dentro dele, “Deus e o diabo travavam uma guerra”. Com sua voz de trovão, seu olhar de gelar a alma, e suas roupas pretas, era capaz de dominar uma platéia tanto de adolescentes histéricas, quanto de presos (seu disco “At Folson”, gravado na cadeia homônima é a prova disso).  Nos anos 2000, o mega produtor Rick Rubin, tirou Cash do ostracismo e gravaram cerca de sete álbuns, os chamados “American Recordings”. Estes trabalhos são obras primas da cultura americana, verdadeiras “bíblias musicais”.

Influenciados básicos: Bob Dylan, U2, Bruce Springsteen,Tom Petty, Red Hot Chili Peppers, entre outros.




Carl Perkins


Talvez o artista mais injustiçado dessa lista. Carl Perkins era filho de um casal de agricultores que viviam na miséria, e sua primeira composição foi o mega sucesso “Blue Suede Shoes”. Quando estava prestes a gravá-la, sofreu um grave acidente de carro, o deixando hospitalizado por vários meses. Neste meio tempo, Elvis ouviu a gravação demo (Perkins e Elvis eram da mesma gravadora, a lendária Sun Records) e resolveu gravar a canção. A música tornou-se um dos maiores sucessos de Elvis, e quando Perkins se recuperou, todos pensavam que a sua versão era um cover! Dá pra imaginar o que o artista deve ter sentido?

Mas depois de um certo  tempo, Perkins emplacou um sucesso atrás do outro, se tornando razoavelmente conhecido.  Seu estilo particular de tocar guitarra e cantar, lhe valeu o título de “Rei do Rockabilly” (estilo similar ao Rock N’ Roll, porém com temáticas mais sulistas e fortíssima influência do Hillbilly, uma espécie de country de raiz).  Os Beatles idolatravam Carl Perkins e gravaram várias de suas canções.  Era amigo pessoal de George Harrison e de Paul Mccartney, e a maior influência de Harrison como guitarrista.

Inlfuenciados básicos: Beatles, Rolling Stones, Stray Cats, Van Morrison, Almann Brothers Band, entre outros.



Roy Orbison


Sem exagero nenhum, pode-se dizer que Roy Orbison foi um dos maiores cantores de todos os tempos. Sua voz de barítono era de uma suavidade e de um alcance impressionantes, tanto que Elvis, o considerava o maior de todos os cantores. Cantor especializado em baladas, que o fizeram adquirir um fama de homem triste e infeliz, já que suas interpretações eram tão fortes e cheias de dramaticidade.  Mas além das baladas, Orbison também gravava músicas rápidas e dançantes como “Ooby Dooby” e “Mean Woman Blues”, entre outras. Teve uma vida trágica, pois perdeu a esposa em um acidente de moto, na década de 60 e dois de seus filhos, em um incêndio na década de 70. A inclusão da música “Oh Pretty Woman”, gravada na década de 60, na trilha sonora do filme “Uma Linda Mulher”, trouxe novamente notoriedade à sua obra.

Mick Jagger dizia que aprendeu a cantar baladas ouvindo os discos de Roy Orbison.


Influenciados básicos: Beatles, Rolling Stones, Elvis Costello,  Jeff Buckley, U2, entre outros.



Eddie Cochran


Outro expoente do Rockabilly, e artista de enorme importância no Rock N’ Roll. Eddie Cochran morreu muito jovem, aos 21 anos em um acidente de carro em 1960, mas deixou um legado riquíssimo de canções clássicas. Na Inglaterra é idolatrado e apontado como influência seminal para estilos musicais como Rock, Hard Rock e Punk. Canções como “Three Steps To Heaven”, “C’Mon Everybody”, “Summertime Blues” e “Twenty Flight Rock”, são fontes onde praticamente, todos os artistas de Rock que vieram depois dele beberam.  

Influenciados básicos: Beatles, The Who, Pearl Jam, Motorhead, Deep Purple, Stray Cats, entre outros.



Gene Vincent


Junto com Carl Perkins e Eddie Cochran (estava no mesmo carro onde morreu Cochran, e feriu gravemente a perna), forma a Santíssima Trindade do Rockabilly. Guitarrista hábil e dono  de uma voz marcante, deixou sua assinatura na música através de clássicos como “Be Bop A Lula”, “Blue Jean Bop” e “Race With The Devil”. Seu alcoolismo descontrolado, impediu que sua carreira “deslanchasse”. Morreu na obscuridade, apesar de ser ídolo de ídolos como Paul Mccartney e Jeff Beck.

Influenciados básicos:  Beatles, The Cramps, Jeff Beck, Stray Cats, Motorhead, entre outros.




Essa foi a minha lista com os artistas mais importantes do Rock N’ Roll, caras que talvez, nunca tenham tido toda a sua importância reconhecida, mas que nem por isso, deixaram de ser absolutamente vitais não só para a música em si, mas para a cultura em geral, desde os anos 50 até hoje.

Espero ter feito justiça mesmo que tardia, aos mestres com estes textos.  



Abraço.


sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Trovando sobre: OS ARTISTAS MAIS IMPORTANTES DO ROCK N’ ROLL - Parte I

Fui presenteado esta semana por um grande amigo, com uma edição especial da ótima revista Rolling Stone, cujo título da publicação é: “Os 100 Maiores Artistas do Rock.”. Achei a lista muito interessante, e os textos são escritos por artistas que foram influenciados pelos citados, sendo que em alguns casos, o "escritor", também está na lista dos "Top 100". Dave Grohl escreveu sobre o Led Zeppelin, Bono escreveu  sobre Elvis, Elton John sobre Stevie Wonder e por aí vai.

Um texto me chamou a atenção em especial. Foi o texto do Gigante, do Titã do Rock N’ Roll chamado Little Richard. Em um trecho ele diz assim: “Os Beatles tocavam minhas músicas antes de gravarem um álbum, mas sempre estarão na minha frente, os Stones gravaram inúmeras músicas minhas em seus primeiros discos, mas sempre estarão na minha frente... Acho que nunca vou receber o devido mérito, mas aceito isso numa boa, pois minha intenção sempre foi criar música, e só.”.

Eu concordo 100% com Little Richard. Sempre que leio estas listas, eu vejo absurdos, como por exemplo, Nirvana na frente de Johnny Cash, ou Madonna ser citada na lista... Sim, vocês leram certo... Madonna!  E não é uma lista das 100 pessoas mais patéticas do mundo, é uma lista dos 100 Maiores Artistas do Rock...

Pensando nisso, resolvi criar a lista definitiva dos Maiores Artistas do Rock N’ Roll (na minha opinião, é claro).

Dividirei o texto em duas partes e citarei os quinze artistas que foram definitivos até a chegada dos Beatles, pois depois dos Beatles, o Rock N’ Roll sai de cena, e surge o Rock.

Então, lá vai:




1)     Robert Johnson


Um dos primeiros bluesman gravado em disco. O cara que começou tudo que viria a ser o Rock N’ Roll (e que, segundo a lenda, fez um pacto com o capeta para que pudesse tocar melhor o seu violão). Sem ele, provavelmente, nunca teríamos ouvido o Blues em seu estado puro. Morreu aos 27 anos, segundo a lenda, envenenado por um marido ciumento de uma de suas fãs, e deixou um legado de apenas 42 canções gravadas. Essas 42 canções são a pedra fundamental do Blues e do Rock N’ Roll, onde além das belas melodias, as letras falam de temas como amor, sofrimento, preconceito entre outras questões. É, sem dúvida, o “avô” do Rock N’ Roll.

Influenciados básicos: Toda e qualquer pessoa que toque, ouça ou goste de Rock N’ Roll.   





2)      Muddy Waters


Se a guitarra é o principal instrumento do Rock N’ Roll, Muddy é o culpado. Muddy Waters pegou o Blues acústico de Robert Johnson e eletrificou, começando assim, uma mudança tremenda a partir da substituição do violão pela guitarra elétrica (fortificando o som) e também, acrescentado diferentes temáticas as letras.  Trabalhava colhendo algodão, quando foi "descoberto", e levado para Chicago, onde criava canções tanto sobre a vida sofrida do negro no campo, ou sobre a vida difícil do negro na cidade grande. 

Para que se tenha uma noção de sua influência, os Rolling Stones adotaram este nome para a banda, inspirados na canção "Rollin' Stone", de Muddy.

Muddy Waters pode e deve ser considerado como pai do Rock N’ Roll.

Influenciados básicos: Chuck Berry, Elvis Presley, Rolling Stones, Led Zeppelin, Bob Dylan, entre outros.




3)      Hank Williams


O Rock é, basicamente, a mistura de dois gêneros musicais: O Blues e o Country. Se Muddy Warters é o pai do Rock N’ Roll, Hank Williams é a mãe. Cantor country que escreveu canções que até hoje, são reverenciadas e base de influência para todo e qualquer músico que surgiu depois dele. Hank foi o mais influente e importante cantor da música country da História. Foi um artista polêmico, que morreu muito jovem em um acidente de carro (aos 29 anos), mas que além da gigantesca influência musical, foi uma influência de atitude também, pois era considerado um rebelde para os padrões da época (apresentava-se bêbado, tinha inúmeros casos com fãs e adorava uma boa briga). Dono de uma voz marcante, era uma compositor que beirava o sublime.

Influenciados básicos: Elvis Presley, Jerry Lee Lewis, Bob Dylan, Neil Young, entre outros.




4)      Elvis Presley


O Rock N’ Roll é um reino, e esse reino, tem um Rei. O grande mérito de Elvis não foi ter criado o Rock N’ Roll em 1954, ao gravar “That’s All Right”, um blues de Arthur “Big Boy” Crudup em ritmo acelerado. O grande mérito de Elvis não foi fazer com artistas negros, como Chuck Berry, Little Richard e Bo Diddley fossem reconhecidos pela audiência branca e que pudessem assim, construir carreiras, após terem suas canções tocadas nas rádios. O grande mérito de Elvis não foi criar TUDO o que conhecemos como práticas comuns não apenas no Rock N’ Roll (shows, marketing, merchandising, roupas, etc), mas na música pop. O grande mérito de Elvis não foi instituir a formação guitarra, baixo e bateria como a formação clássica de instrumentos  do Rock N’ Roll. O maior mérito de Elvis foi SER o Rock N’ Roll. Se o Rock N’ Roll, fosse um ser humano, o Rock N’ Roll teria de ser Elvis Aaron Presley.  O Rock N’ Roll é genuíno, é sexy, é imprevisível, é selvagem, é profundo, é existencialista, é espiritual... O Rock N’ Roll é Elvis Presley.

Influenciados básicos: Se Deus tocasse Rock N’ Roll, ele teria que pedir permissão à Elvis antes.Todo e qualquer músico sério, é influenciado por Elvis.




5)      Chuck Berry


O maior compositor e guitarrista do Rock N’ Roll. Com muita freqüência, vejo que os críticos afirmam que Jimi Hendrix foi o maior guitarrista da História. Sem Chuck Berry, Jimi, provavelmente, nem existira. Esse cara criou todos os “mandamentos” para qualquer guitarrista do planeta Terra, do guri de 15 anos que começou a tocar ontem, a Eddie Van Halen. O cara criou o maior riff de Rock N’ Roll de todos os tempos, o riff de abertura de “Johnny B. Goode”. Além disso, suas letras retratavam com precisão, o dia a dia e os anseios e aspirações dos adolescentes e jovens americanos (brancos e negros). A partir de Chuck Berry, compor deixou de ser algo incomum para o cantor, e virou algo corriqueiro. Era também, um showman incrível, com tiradas geniais, como o famoso passo "duckwalk", retratado na foto acima.

Influenciados básicos: Beatles, Rolling Stones, Bob Dylan, Jimi Hendrix, Aerosmith, Motorhead, AC/DC, entre outros.



6)      Little Richard


O cara que inspirou este texto. Little Richard foi um dos maiores cantores, compositores e pianistas do Rock N’ Roll. Artista excêntrico que ia dos extremos da religiosidade aos extremos do pecado. Era um fantástico cantor e pianista gay que sempre apresentava performances incendiárias e viscerais. Dono de uma voz marcante e altíssima, foi talvez, o artista mais performático desta época de ouro da música. Junto com Chuck Berry, foi o primeiro artista negro a quebrar a barreira das platéias segregadas (brancos de um lado, negros de outro). O que dizer do homem que trouxe ao mundo hinos como “Tutti Frutti”, “Good Golly Miss Molly”, “Rip Ip Up”, entre outras. Certa vez, Paul Mccartney disse que Little Richard o havia ensinado tudo sobre Rock N' Roll. Fim de papo, né?

Influenciados básicos: Beatles, Bob Dylan, Rolling Stones, Elton John, David Bowie, entre outros.



7)      Fats Domino


Soberbo pianista de Nova Orleans, que acrescentou o suingue ao Rock N’ Roll. É raro ver Fats Domino em qualquer lista de “pais” do Rock ‘ Roll, e isto é uma grotesca injustiça. Fats tocava em sua terra natal, estilos tão diversificados como Blues, Gospel, Rhythm and Blues, Soul, Boogie Woogie e Jazz. Possuí uma técnica apurada de tocar o piano, além de uma sensibilidade única, quando se apresenta ao vivo. Não raro, acelerava, ou imprimia um certo tipo de “sentimento” as interpretações, um “sentimento” estranho, positivo e “liberador”, desconhecido até então...  Esse “sentimento” era o Rock N’ Roll.

Influenciados básicos: Beatles, Rolling Stones, The Who, The Band, Fleetwood Mac, entre outros.



8)      Jerry Lee Lewis


O primeiro punk da História. O cara que incendiou um piano em pleno palco. O cara que casou com a prima de 13 anos, quando ele tinha 23 anos. O cara que trouxe ao mundo “Great Balls of Fire”, “Whole Lotta Shakin’ Goin’ On”, entre outras obras primas do Rock N’ Roll. O cara que viveu tudo que suas canções retratavam. O cara maluco que espancava o piano com os pés e subia em cima dele. O cara que fez do piano, um dos ”instrumentos mais Rock N’ Roll N’ Roll” da História. O músico mais selvagem e imprevisível do Rock N’ Roll. “O” cara, e pronto!

Influenciados básicos: Beatles, Rolling Stones, Bruce Springsteen, U2, Creedence Clearwater Revival, entre outros.

Esta foi a primeira parte da lista, meus amigos.

Espero que curtam.




Um abraço.

terça-feira, 5 de novembro de 2013

Trovando sobre: FILMES DE BAIXO ORÇAMENTO

Hoje, por sugestão de um querido amigo e assíduo leitor, vou fazer aqui, neste humilde blog, uma lista de filmes excelentes, que custaram uma “merreca” para os padrões de Hollywood, e que fizeram milhões em lucro (três deles) e outros que não deram tanto lucro assim (dois deles), mas que são obras muito boas, e que merecem ser vistas. Os que não geraram lucro foram os dois primeiros.

Vamos à lista:


Candy – 2006



Sensacional filme australiano que mofa em qualquer prateleira de locadora e na época que foi lançado, também foi ignorado. O filme conta a história de um poeta amador e uma estudante de arte, que são namorados e apaixonados (um pelo outro e por uma seringa de heroína). Heath Ledger tem aqui, uma performance arrasadora, capaz  de comover  qualquer um com uma atuação sublime, que mostra a degradação física e psicológica que o vício faz com os viciados. A Candy do título do filme, (a atriz Abbie Cornish) também não faz feio. Um filme amargo de se assistir, mas muito recompensador.  


Netto Perde Sua Alma – 2001



Filmaço inspirado na vida do General Antônio de Sousa Netto, Herói da Revolução Farroupilha, que além desta guerra, peleou em diversas revoluções e guerras, dentro e fora do Rio Grande do Sul e até mesmo do Brasil. O General Netto foi um verdadeiro Herói Brasileiro.

O diretor Tabajara Ruas conseguiu criar um belíssimo filme, que mostra o General ferido, após a Guerra do Paraguai, se recuperando em hospital da Argentina, onde relembra sua vida, seus amigos e parceiros de peleia, seus amores e suas perdas. Werner Schunemann incorpora Netto com muita propriedade, e entrega a quem assiste uma atuação excelente. É pena que o diretor Tabajara Ruas tenha tido tão pouco respaldo e incentivo financeiro dos Governos Estadual e Federal, pois a verba para a realização deste filme deve ter sido 1/3 do que foi a verba para lixos como “Bruna Surfistinha” e “De Pernas Pro Ar”... Triste.



A Bruxa de Blair – 1999



Foi o primeiro caso de “mentira plantada que virou verdade”. Eu lembro que na época de lançamento TODO mundo achava que o que acontecia no filme, era um documentário VERDADEIRO. Que eu me lembre também, foi um dos primeiros filmes a usar a novíssima (na época) internet como meio de divulgação para “vender” um filme de cinema. E que filme... Horripilante ao extremo, sem derramar uma gota de sangue... . Pra mim, os filmes mais assustadores, são aqueles que não são explícitos, que não precisam de exageros. Sempre achei o "subentendido" muito mais assustador e macabro. Este filme é uma aula de terror psicológico e claustrofóbico.

As cenas noturnas na floresta, durante a "caça" à bruxa são uma das coisas mais assustadoras já filmadas no Cinema.

Assisti na época, no cinema do saudoso Sinos Shopping Center, junto com o Eduardo... Lembro que assistimos à noite, e que voltei a pé pra casa e que ventava muito, e quando passei por um grande terreno baldio para atalhar até a minha casa, eu gelei de medo. O filme me impressionou muito, mas muito mesmo. Tempos depois eu descobri que tudo na passava de uma brilhante e pioneira, estratégia de Marketing, que deu muito resultado porque o filme virou cult e arrecadou milhões em lucro, tendo custado cerca de vinte mil dólares.



Cães de Aluguel – 1992



O melhor filme de Quentin Tarantino até hoje (Pulp Fiction chega perto).

Trilha sonora matadora, a cena dos créditos iniciais, o diálogo sobre a Madonna, a cena da piada no banheiro, a cena de tortura do policial... É uma sequência de coisas legais durante todo o filme.

Na minha modesta opinião até os dias atuais, o cineasta tenta repetir o que conseguiu neste filme perfeito. Tarantino era atendente de locadora antes de conseguir uma mísera verba para realizar este filmaço. No seu emprego, Tarantino pôde assistir a inúmeros filmes e se inspirar (e roubar idéias na cara dura) a escrever o roteiro de Cães de Aluguel. Depois de muito rodar, sem despertar muito interesse de ninguém, o roteiro foi parar nas mãos do soberbo ator Harvey Keitel (o Mr. White do filme), e ele não só aceitou atuar, mas também investiu dinheiro próprio no projeto, para que o filme tivesse mais recursos e pudesse ser filmado de uma maneira mais adequada. Para se ter uma idéia da "pindaíba" que foi a verba de filmagem, os ternos que os atores usam durante o filme, eram dos próprios atores, pois o orçamento era muito baixo!

Roteiro genial + Direção perfeita + Atuações brilhantes = Milhões em lucro.



Rocky: Um Lutador – 1976



Logo que eu conheci o Fausto ele me disse uma coisa que eu nunca esqueci: “Tu vai ver, vão fazer com o Stallone o que fizeram com o Kirk Douglas... Quando o Stallone estiver moribundo e tão velho a ponto de nem saber onde está, vão fazer uma tremenda homenagem pra ele no Oscar, dizendo que a obra dele foi influente e não sei mais o quê, enquanto que hoje não reconhecem nada do que ele fez, e ainda menosprezam tudo que ele fez e ainda faz”.

O Fausto está coberto de razão.

Todos esses filmes e milhares de outros, só puderam ser feitos, graças à coragem de Sylvester Stallone para realizar “Rocky”.  Stallone vivia praticamente na miséria, quando teve a idéia para o roteiro (após assistir uma luta de Muhammad Ali). A Warner Filmes, gostou do roteiro e chegou a oferecer um milhão de dólares por ele, mas Stallone não se deixou seduzir, pois queria além de estrelar o filme, dirigi-lo. Após muitas tratativas, Stallone foi convencido a apenas dar vida, ao maior e mais completo Personagem da História do Cinema Mundial.
Acertados os detalhes a Warner libera cerca de um milhão de dólares para a realização do filme e um prazo apertadíssimo para a filmagem.

Stallone não apenas entregou o filme ANTES do prazo, como o entregou com uma pequena sobra no orçamento (prática que o Astro segue até hoje).

Lucro? Como medir em valores financeiros um filme que até hoje é reverenciado e copiado repetidamente? Um filme que é um ícone, um norte na arte do cinema? Impossível.

Só sei que rende muito carinho, amor e admiração.

Ah, e rende muito dinheiro também.




Espero que gostem.






Abraço.

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Trovando sobre: ELVIS PRESLEY IN CONCERT





Sem rodeios, ok?

O “jogo” já estava ganho quando eu estava indo para Porto Alegre, no Auditório Araújo Vianna, ver o espetáculo (sim, espetáculo, pois não foi um mero show da clássica TCB Band, a banda que fielmente acompanhou Elvis durante muitos anos... Foi muito mais que isto), pois no caminho, ouvindo Elvis no rádio do carro, eu já dei uma “choradinha de leve”. 

Quem me conhece sabe, o quanto admiro a Arte e a pessoa que foi Elvis Presley.

Eu sou mega, hiper, super “manteiga derretida”, quando se tratam de duas coisas: Animais machucados, e/ou maltratados e qualquer coisa  que se refira a Elvis Aaron Presley.

Depois das “pataquadas” da “organização” da produtora local (por duas vezes, mudaram o local da apresentação, e isso sem aviso prévio a quem comprou os ingressos), a Graci e eu chegamos cedo no Araújo Viana, local finalmente escolhido para que a celebração da obra do MAIOR ARTISTA DO SÉCULO XX, pudesse acontecer de fato.

Desde mais ou menos, 16:00 horas da tarde, eu sentia uma ansiedade tremenda. Antes desse horário, eu até que estava tranqüilo, mas depois... Eu senti a pressão.

Chegamos lá, e esperamos cerca de meia hora para entrarmos no AV. Eu estava uma pilha de nervos, mas era uma coisa diferente... Um misto de tensão e alegria, pois eu sabia que ia presenciar algo histórico, imortal, uma coisa que iria fazer a diferença na minha vida.

Os fãs de Elvis são um espetáculo à parte. Eu vi uma menina vestida dos pés à cabeça como o Astro, no magnífico show “Aloha From Hawaii”. Uma mãe levou seu filho de no máximo, seis anos de idade também, vestido como o Rei.

Sósias de Elvis, eu vi uns quatro ou cinco. Sentada na minha frente, estava uma senhora de uns cinqüenta anos, com uma grande tatuagem do rosto de Elvis, no ombro direito... Conversei muito com essa senhora e ela era uma autêntica fã, que além da tatuagem, sabia muito da trajetória do Rei do Rock N’ Roll.

Tudo bem, tudo muito legal, mas eu continuava nervoso.

Uma voz no alto falante avisa: “Faltam dez minutos para o início do espetáculo!”. Eu já tinha tomado uma Heineken, mas ali, naquela hora, eu vi que precisava de mais uma.

Estou saindo da fila do bar, e aquela voz nos altos falantes diz, sem dó e nem piedade de mim: “Faltam cinco minutos para o início do espetáculo!”. Decidi que além das Heinekens, eu precisava ir no banheiro...

Cheguei ao meu lugar, e exatamente na hora que eu me sento, apagam-se as luzes do lugar...

Aí, eu literalmente gelei.

O telão começa a mostrar imagens sobre o espetáculo, e a orquestra (sim, tinha uma mini orquestra tocando no espetáculo) começa a tocar a introdução dos shows do Rei, o tema do filme “2001 – Uma Odisséia no Espaço”, a canção “Also Sprach Zarathustra".

Quando vi a gigantesca imagem de Elvis “entrando no recinto”, eu gelei de novo. Já disse no início deste texto que sou manteiga derretida, então obviamente, derramei mais algumas lágrimas nesse momento (durante a música "If I Can Dream", eu quase pedi um lenço emprestado.... Sou bobo né, fazer o quê?).

Eu não conseguia falar. Eu juro por Deus, e por tudo que é mais sagrado, que eu não conseguia falar. Eu tentei falar alguma coisa para a Graci, mas eu não conseguia.

Durante as quatro primeiras músicas, eu não conseguia falar, mas também, ver a TCB Band tocando ali, na minha frente hinos como “Johnny B. Goode” e “Burning Love", era surreal demais.

Mas eu ainda não falava e estava nervoso, até que acontece uma falha técnica em “Welcome To My World”, e o show tem de ser interrompido.

Eu jamais pensei que ia ficar feliz por acontecer um erro, e por alguns minutos a festa ser interrompida... Daí, eu tive tempo para pensar, e aí, eu vi o porquê do meu nervosismo.

Eu estava procurando por Elvis no palco.

Aí, finalmente, consegui falar e contei isso pra Graci. Ela só balançou a cabeça e riu. Típico dela...

Quando o problema foi resolvido, eu consegui me situar e aí, pude entender que eu estava em um espetáculo onde alguns membros “sobreviventes” da TCB Band (o pianista Glenn Hardin, o baterista Ronnie Tutt, o lendário guitarrista James Burton e o maestro Joe Guercio) prestavam um tributo ao gênio inigualável de Elvis.


Ver James Burton ao vivo foi outro caso à parte. O cara é um dos guitarristas mais versáteis e influentes da história do Rock N’ Roll, sem contar que é o maior "tocador" de Fender Telecaster do mundo! É “monstruoso” o que ele faz com uma guitarra tão simples nas mãos.

Ver as Sweet Inspirations também foi lindo,  pois se tratam  das lendárias (e animadíssimas) cantoras que faziam backing vocals para o Rei. Os Stamps, igualmente lendário grupo gospel que acompanhava Elvis, cantaram a capella, “Sweet, Sweet Spirit”, e por pouco, não derrubaram o teto do AV, tamanha a força da interpretação.

Depois vieram  canções “arrasa quarteirões” como “Just Pretend”, “Bridge Over Troubled Water”, “Love Me Tender”, “My Way”, “In The Guetto”, “You’ve Lost That Lovin’ Feelin’”, “Don’t Be Cruel”, "If I Can Dream", “Suspicious Minds” e até surpresas maravilhosas como “Sweet Caroline” e “What  Now My Love”… Um sucesso atrás de outro. Não sei de nenhum outro artista, que tenha tantos “hits” em sua carreira, creio que somente os Beatles se comparem. 

Esse ano foi muito especial, pois além deste soberbo espetáculo, pude comparecer na “Elvis Experience”, exposição com objetos pessoais do Rei... Durante esse ano cheguei o mais perto possível do meu grande ídolo, o cara que muitas vezes, foi minha inspiração, meu modelo, e não falo do artista e cantor, mas sim, do ser humano que Elvis foi.

Como é que pode... Eu sinto falta de uma pessoa que eu nunca conheci, que morreu antes de eu nascer.

Mas eu sinto... Imensamente.

Foi um espetáculo inesquecível único na minha vida. Uma noite mágica que vai ficar sempre na minha memória. Se for verdade essa história de que um resumo da nossa vida passa na nossa cabeça quando estamos à beira da morte, eu com certeza, antes de "bater as botas", lembrarei dessa noite.


2013 vai ficar na História.




Aloha.


segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Trovando sobre: LOU REED




Eu senti que ontem não seria um bom dia para a humanidade.  Tive esse presságio quando vi a Regina Casé, naquele horrível e pretensioso programa “Esquenta” fazer uma “homenagem” ao Punk.  A apresentadora disse que todo o estilo Punk é de boutique, já que foi criado por Malcolm  Mclaren e Vivienne Westwood, empresários, marqueteiros e donos de uma  boutique na Londres dos anos 70 chamada "Sex". Malcolm e a esposa foram os “gurus” dos Sex Pìstols.

Regina Casé não podia estar mais equivocada.

O Punk nasceu em 1967, quando Lou Reed, e a banda Velvet Underground (junto da cantora  alemã Nico) lançaram o álbum "Velvet Underground & Nico" (aquele da capa com a banana, sabe?).

Em 1967, os Beatles lançaram “Sgt. Peppers”, e a cultura hippie dominava a juventude. Lou Reed e o VU vinham na contramão disso. Reed odiava hippies, pois não via sentido em falar, ou cantar sobre amor, árvores lindas, a beleza do sol, e outros temas positivos, enquanto a guerra do Vietnã acontecia.

Em 1967, os temas das canções de Lou Reed eram drogas, vícios, desespero, morte, sexo (gay, inclusive), enfim, falavam do lado negro da humanidade, e estes temas quase sempre foram os principais das suas canções durante toda a sua carreira.

Junto com Jim Morrison, do grupo The Doors, Lou Reed foi o cara que introduziu a influência da poesia clássica (e contemporânea) ao Rock. Foi com certeza, um dos maiores letristas de Rock de todos os tempos.

Eu conheci a obra de Lou Reed no início dos anos 90, quando um conhecido me emprestou o nada menos que perfeito disco “Transformer”, produzido pelo amigo (e discípulo de Reed), David Bowie, que literalmente, transformou e melhorou o meu gosto musical.

Reed  sempre foi um poeta maldito, cínico e  grande observador de pessoas. Tinha apreço pela visão crua e real do ser humano. Era um cronista minucioso da nossa raça. Sua grande paixão era a cidade de Nova York, tema de diversas de suas maravilhosas canções.
Lou Reed vivia o que retratava em suas canções. Foi viciado em todas as drogas já criadas pelo homem, e foi casado por anos com Rachel, um belíssimo travesti.

Lou Reed nunca fez concessões em sua carreira, nunca cedeu a pressão de executivos babacas de gravadora, para “soar mais comercial”, apesar de ter lançado álbuns mais “fáceis” e com uma sonoridade mais pop, como “Coney Island Baby” e “Sally Can’t Dance”,  que são de uma qualidade incrível, onde as letras muito inspiradas, estão envoltas em ótimas melodias. Lou Reed foi pop, sem propositalmente querer ser. O artista era um refém de suas canções, fazia o que elas pediam, trabalhava em prol de sua visão. Era um egoísta, como todo Artista deve ser.

Discos como “Metal Machine Music”, “Street Hassle”, "New York", Rock N’ Roll Animal”, o já citado "Transformer",  e o magnífico “Berlin”, a opéra rock sobre um jovem casal na cidade alemã,  são até hoje, referência para artistas como U2, Iggy Pop, The Strokes, Television, Pearl Jam, Bruce Springsteen, Morrissey, Elvis Costello, The Killers, Metallica, entre tantos outros.

O último trabalho do artista, inclusive, foi com o Metallica, quando gravaram em 2011 o incrivelmente menosprezado álbum “Lulu”, baseado inteiro, na obra de um poeta alemão. Os críticos e fãs (do Metallica) detestaram o disco, mas a banda declarou que “foi uma honra e um prazer trabalhar com um gênio como Lou Reed”. Quanto “egoísmo” do Metallica, hein? Eu nunca fui um grande fã do Metallica, mas vou sempre respeitar os caras por isso.

Eu acho o disco “Lulu” excelente, umas das melhores coisas que tanto Lou Reed, quanto o Metallica  já fizeram.

Lou Reed faleceu ontem, aos 71 anos, vítima de complicações de um transplante de fígado. Espero realmente que tenha sido por isso, pois não quero acreditar que de alguma maneira, ele tenha visto a “homenagem ao punk”, feita pelo medíocre “Esquenta” e tenha decidido de vez, sair de cena...

Um cara postou a seguinte pergunta no Facebook ontem: “Nossos ídolos estão morrendo... Será que não vão surgir novos ídolos do nível destes que estão partindo?”

Eu te respondo, caro amigo: Não.

Nunca mais pisará neste planeta, alguém como Lou Reed.







Um abraço.

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Trovando sobre: MONSTROS CLÁSSICOS DOS ESTÚDIOS UNIVERSAL



Eu admito que gosto muito de coisas velhas. Discos, livros, gibis, roupas (em certos casos), whisky e filmes, entre outros. Tenho a certeza que tudo que foi produzindo, pensado e imaginado no passado, foi muito melhor. Ás vezes, eu acho que minha idade mental é de 12 anos, mas em outras vezes, penso que já nasci velho...  A Graci sempre me diz isso.

Um exemplo desse meu gosto saudosista (sou, e não nego!) são os filmes de monstros que o estúdio americano de cinema Universal lançou a partir da década de 1930.

A história do lançamento destes magníficos filmes, começa em 1931, com o primeiro lançamento da Universal, o filme “Drácula”.

É o meu preferido entre todos os outros. Bela Lugosi foi, é e será para sempre, o melhor Conde Drácula retratado nas telas de cinema e palcos de teatro (o ator foi chamado para o filme, após o diretor Todd Browning, o ver encenando o personagem no teatro). Lugosi era húngaro, e mal sabia falar inglês, por isso decorou suas falas sem necessariamente, saber o que elas realmente significavam! Impressionante.  

Lugosi tinha o porte e o tipo físico perfeito para retratar a dualidade da personalidade do Conde, ora amável, gentil, cavalheiro e sedutor, ora um sádico, que sentia prazer em torturar psicologicamente donzelas e matá-las, sem o menor sinal de remorso.

Bela Lugosi atuava da maneira mais simples, e ao mesmo tempo, complicada de todas. Ele usava todo o seu corpo na sua performance. As cenas onde ele se movimenta para morder suas vítimas e também nas cenas onde seus  olhos são fechados em close , demonstram toda a maestria  deste grande mestre do cinema.

O lançamento seguinte foi “Frankenstein”, também em 1931.


É quase tão maravilhoso quanto “Drácula”, pois Boris Karloff faz uma coisa incrível com sua atuação sem falas. Ele humaniza o monstro. 

A atuação de Karloff beira o sublime na cena onde o monstro, ingenuamente, brinca com uma menina, de atirar pétalas de flor em um rio, e vendo que as pétalas boiam, também arremessa a menina que tragicamente, morre afogada.

Colin Clive que interpreta o Dr. Henry Frankenstein, também dá uma aula de interpretação. A cena onde vê que sua experiência de “ressuscitar os mortos” deu certo, e histericamente grita: “Agora eu sei como é se sentir Deus!”, é uma das cenas mais marcantes da História do Cinema Mundial. A entonação da voz, o olhar e a expressão corporal do ator são perfeitas.

Em seguida, em 1932, Boris Karloff dá vida ao sacerdote egípcio Imnhotep, no clássico “A Múmia”.


Aqui Karloff também dá um show de interpretação. Foi o primeiro DVD da coleção que eu tive, e eu não sei quantas vezes eu assisti... Acho que parei de contar na 259636ª vez. 

Uma história de amor clássica que atravessa gerações, pois Imnhotep é mumificado  por se apaixonar pela esposa do Faraó, que é mumificada junto à ele. Então, ele jura  que voltará para ressuscitar sua amada. É claro que nesse meio tempo, ele mata alguns humanos idiotas que atravessam no seu caminho.... 


Na sequência  de lançamentos, vem  “O Homem  Invisível”, de 1933. Talvez o mais fraco de todos eles, pois o filme é inovador nos efeitos especiais, avançadíssimos para a época, mas sem atuações marcantes e outros destaques, além da voz marcante do mediano ator Claude Rains. Escrevendo esse texto, me lembrei de sua risada maquiavélica.... Brrrr!


Depois deste filme, vem a única sequência que vale a pena nesse pacote, que é o fantástico “A Noiva de Frankenstein”, de 1935.  Muitas pessoas afirmam que esta continuação é superior ao primeiro filme. Eu discordo totalmente. Apesar de Elsa Lanchester estar estupenda como “A Noiva”, é imperdoável que o monstro FALE. Não, mil vezes, não!!!! O próprio Karloff quase se recusou a atuar na produção, sob o argumento de quê  o monstro não poderia falar, pois “quebraria seu encanto”. O grande diretor James Whale também foi contra, mas os “espertos” produtores da Universal não abriram mão desta exigência. E o Dr. Pretorius, rival do Dr. Henry Frankenstein, é um mala.


Aí temos “O Lobisomen”, em 1941. Outro filme perfeito, sem erros. O excelente ator Lon Chaney Jr. interpreta Lawrence Talbot, que em uma noite de lua cheia é mordido por uma "criatura", e sofre a maldição de virar o “homem-lobo”. Aqui, a atuação de Chaney é muito dramática, pois como ele disse em uma entrevista, anos depois, ele encarava a maldição do Lobisomen, como a sua própria maldição, o alcoolismo. Chaney explicou que o monstro sofria, quando se transforma, que mudava, que virava outra pessoa, que agredia, que ia para um lugar muito sombrio e solitário de sua mente, exatamente como um alcoólatra (Chaney morreu em decorrência do alcoolismo que o afligiu por anos). Triste semelhança.


Por fim, o último grande lançamento da Universal foi “O Mostro da Lagoa Negra”, de 1954. Na história, um grupo de pesquisadores na Floresta Amazônica, é “atacado” por um monstro meio homem, meio peixe. Na verdade, além de defender o seu lar dos invasores, o monstro se apaixona por uma das cientistas, que era, mesmo para os padrões da época, uma coisa de louco... A cena onde ela nada no rio, usando um maiô branco justíssimo ao corpo, me dá “coisas”, como diria o Dr. Chapatin... Uma espécie de Cléo Pires da década de 50.  

O filme é uma grande crítica ao avanço desmedido da civilização, e as inúmeras  agressões ao meio ambiente das espécies animais... Isto em 1954! O filme não tem  grandes atuações individuais, mas no contexto geral, é um ótimo filme.


Outro destaque importante são os extras dos DVD’s. Cada disco traz como bônus, um documentário explicando muitas coisas sobre o filme, entrevistas com atores, compositores, roteiristas, críticos e pesquisadores de cinema, além de fotos e imagens de pôsteres da época de lançamento dos filmes. É coisa para assistir ajoelhado.

Eu lembro quando eu era guri, e meu pai assinou a “novíssima e moderníssima” NET. Na época, no meio dos anos 90, a NET transmitia o canal da Universal, e todo sábado de manhã, passava um destes clássicos. Eu tenho ótimas lembranças de acordar e correr pra frente da TV para poder assistir a um destes filmaços.

Hoje filmes de terror são desculpas para mostrar tetas, bundas e mutilações, além de baldes de sangue. Eu adoro tetas, bundas, mutilações e baldes de sangue, mas tem de haver um contexto mínimo na história pra que a gente, como telespectador veja e assimile isso. Sem uma história boa, uma boa direção e boas atuações, tudo vira uma espécie de “Roberto Carlos Especial”, uma coisa sem pé e nem cabeça, que é requentada há 40 anos.

Outras sequências foram lançadas, mas nada relevante.

Eu amo esses filmes, e os assisto sempre que posso.


Espero que gostem.




Um abraço.