segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Trovando sobre: LOU REED




Eu senti que ontem não seria um bom dia para a humanidade.  Tive esse presságio quando vi a Regina Casé, naquele horrível e pretensioso programa “Esquenta” fazer uma “homenagem” ao Punk.  A apresentadora disse que todo o estilo Punk é de boutique, já que foi criado por Malcolm  Mclaren e Vivienne Westwood, empresários, marqueteiros e donos de uma  boutique na Londres dos anos 70 chamada "Sex". Malcolm e a esposa foram os “gurus” dos Sex Pìstols.

Regina Casé não podia estar mais equivocada.

O Punk nasceu em 1967, quando Lou Reed, e a banda Velvet Underground (junto da cantora  alemã Nico) lançaram o álbum "Velvet Underground & Nico" (aquele da capa com a banana, sabe?).

Em 1967, os Beatles lançaram “Sgt. Peppers”, e a cultura hippie dominava a juventude. Lou Reed e o VU vinham na contramão disso. Reed odiava hippies, pois não via sentido em falar, ou cantar sobre amor, árvores lindas, a beleza do sol, e outros temas positivos, enquanto a guerra do Vietnã acontecia.

Em 1967, os temas das canções de Lou Reed eram drogas, vícios, desespero, morte, sexo (gay, inclusive), enfim, falavam do lado negro da humanidade, e estes temas quase sempre foram os principais das suas canções durante toda a sua carreira.

Junto com Jim Morrison, do grupo The Doors, Lou Reed foi o cara que introduziu a influência da poesia clássica (e contemporânea) ao Rock. Foi com certeza, um dos maiores letristas de Rock de todos os tempos.

Eu conheci a obra de Lou Reed no início dos anos 90, quando um conhecido me emprestou o nada menos que perfeito disco “Transformer”, produzido pelo amigo (e discípulo de Reed), David Bowie, que literalmente, transformou e melhorou o meu gosto musical.

Reed  sempre foi um poeta maldito, cínico e  grande observador de pessoas. Tinha apreço pela visão crua e real do ser humano. Era um cronista minucioso da nossa raça. Sua grande paixão era a cidade de Nova York, tema de diversas de suas maravilhosas canções.
Lou Reed vivia o que retratava em suas canções. Foi viciado em todas as drogas já criadas pelo homem, e foi casado por anos com Rachel, um belíssimo travesti.

Lou Reed nunca fez concessões em sua carreira, nunca cedeu a pressão de executivos babacas de gravadora, para “soar mais comercial”, apesar de ter lançado álbuns mais “fáceis” e com uma sonoridade mais pop, como “Coney Island Baby” e “Sally Can’t Dance”,  que são de uma qualidade incrível, onde as letras muito inspiradas, estão envoltas em ótimas melodias. Lou Reed foi pop, sem propositalmente querer ser. O artista era um refém de suas canções, fazia o que elas pediam, trabalhava em prol de sua visão. Era um egoísta, como todo Artista deve ser.

Discos como “Metal Machine Music”, “Street Hassle”, "New York", Rock N’ Roll Animal”, o já citado "Transformer",  e o magnífico “Berlin”, a opéra rock sobre um jovem casal na cidade alemã,  são até hoje, referência para artistas como U2, Iggy Pop, The Strokes, Television, Pearl Jam, Bruce Springsteen, Morrissey, Elvis Costello, The Killers, Metallica, entre tantos outros.

O último trabalho do artista, inclusive, foi com o Metallica, quando gravaram em 2011 o incrivelmente menosprezado álbum “Lulu”, baseado inteiro, na obra de um poeta alemão. Os críticos e fãs (do Metallica) detestaram o disco, mas a banda declarou que “foi uma honra e um prazer trabalhar com um gênio como Lou Reed”. Quanto “egoísmo” do Metallica, hein? Eu nunca fui um grande fã do Metallica, mas vou sempre respeitar os caras por isso.

Eu acho o disco “Lulu” excelente, umas das melhores coisas que tanto Lou Reed, quanto o Metallica  já fizeram.

Lou Reed faleceu ontem, aos 71 anos, vítima de complicações de um transplante de fígado. Espero realmente que tenha sido por isso, pois não quero acreditar que de alguma maneira, ele tenha visto a “homenagem ao punk”, feita pelo medíocre “Esquenta” e tenha decidido de vez, sair de cena...

Um cara postou a seguinte pergunta no Facebook ontem: “Nossos ídolos estão morrendo... Será que não vão surgir novos ídolos do nível destes que estão partindo?”

Eu te respondo, caro amigo: Não.

Nunca mais pisará neste planeta, alguém como Lou Reed.







Um abraço.

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Trovando sobre: MONSTROS CLÁSSICOS DOS ESTÚDIOS UNIVERSAL



Eu admito que gosto muito de coisas velhas. Discos, livros, gibis, roupas (em certos casos), whisky e filmes, entre outros. Tenho a certeza que tudo que foi produzindo, pensado e imaginado no passado, foi muito melhor. Ás vezes, eu acho que minha idade mental é de 12 anos, mas em outras vezes, penso que já nasci velho...  A Graci sempre me diz isso.

Um exemplo desse meu gosto saudosista (sou, e não nego!) são os filmes de monstros que o estúdio americano de cinema Universal lançou a partir da década de 1930.

A história do lançamento destes magníficos filmes, começa em 1931, com o primeiro lançamento da Universal, o filme “Drácula”.

É o meu preferido entre todos os outros. Bela Lugosi foi, é e será para sempre, o melhor Conde Drácula retratado nas telas de cinema e palcos de teatro (o ator foi chamado para o filme, após o diretor Todd Browning, o ver encenando o personagem no teatro). Lugosi era húngaro, e mal sabia falar inglês, por isso decorou suas falas sem necessariamente, saber o que elas realmente significavam! Impressionante.  

Lugosi tinha o porte e o tipo físico perfeito para retratar a dualidade da personalidade do Conde, ora amável, gentil, cavalheiro e sedutor, ora um sádico, que sentia prazer em torturar psicologicamente donzelas e matá-las, sem o menor sinal de remorso.

Bela Lugosi atuava da maneira mais simples, e ao mesmo tempo, complicada de todas. Ele usava todo o seu corpo na sua performance. As cenas onde ele se movimenta para morder suas vítimas e também nas cenas onde seus  olhos são fechados em close , demonstram toda a maestria  deste grande mestre do cinema.

O lançamento seguinte foi “Frankenstein”, também em 1931.


É quase tão maravilhoso quanto “Drácula”, pois Boris Karloff faz uma coisa incrível com sua atuação sem falas. Ele humaniza o monstro. 

A atuação de Karloff beira o sublime na cena onde o monstro, ingenuamente, brinca com uma menina, de atirar pétalas de flor em um rio, e vendo que as pétalas boiam, também arremessa a menina que tragicamente, morre afogada.

Colin Clive que interpreta o Dr. Henry Frankenstein, também dá uma aula de interpretação. A cena onde vê que sua experiência de “ressuscitar os mortos” deu certo, e histericamente grita: “Agora eu sei como é se sentir Deus!”, é uma das cenas mais marcantes da História do Cinema Mundial. A entonação da voz, o olhar e a expressão corporal do ator são perfeitas.

Em seguida, em 1932, Boris Karloff dá vida ao sacerdote egípcio Imnhotep, no clássico “A Múmia”.


Aqui Karloff também dá um show de interpretação. Foi o primeiro DVD da coleção que eu tive, e eu não sei quantas vezes eu assisti... Acho que parei de contar na 259636ª vez. 

Uma história de amor clássica que atravessa gerações, pois Imnhotep é mumificado  por se apaixonar pela esposa do Faraó, que é mumificada junto à ele. Então, ele jura  que voltará para ressuscitar sua amada. É claro que nesse meio tempo, ele mata alguns humanos idiotas que atravessam no seu caminho.... 


Na sequência  de lançamentos, vem  “O Homem  Invisível”, de 1933. Talvez o mais fraco de todos eles, pois o filme é inovador nos efeitos especiais, avançadíssimos para a época, mas sem atuações marcantes e outros destaques, além da voz marcante do mediano ator Claude Rains. Escrevendo esse texto, me lembrei de sua risada maquiavélica.... Brrrr!


Depois deste filme, vem a única sequência que vale a pena nesse pacote, que é o fantástico “A Noiva de Frankenstein”, de 1935.  Muitas pessoas afirmam que esta continuação é superior ao primeiro filme. Eu discordo totalmente. Apesar de Elsa Lanchester estar estupenda como “A Noiva”, é imperdoável que o monstro FALE. Não, mil vezes, não!!!! O próprio Karloff quase se recusou a atuar na produção, sob o argumento de quê  o monstro não poderia falar, pois “quebraria seu encanto”. O grande diretor James Whale também foi contra, mas os “espertos” produtores da Universal não abriram mão desta exigência. E o Dr. Pretorius, rival do Dr. Henry Frankenstein, é um mala.


Aí temos “O Lobisomen”, em 1941. Outro filme perfeito, sem erros. O excelente ator Lon Chaney Jr. interpreta Lawrence Talbot, que em uma noite de lua cheia é mordido por uma "criatura", e sofre a maldição de virar o “homem-lobo”. Aqui, a atuação de Chaney é muito dramática, pois como ele disse em uma entrevista, anos depois, ele encarava a maldição do Lobisomen, como a sua própria maldição, o alcoolismo. Chaney explicou que o monstro sofria, quando se transforma, que mudava, que virava outra pessoa, que agredia, que ia para um lugar muito sombrio e solitário de sua mente, exatamente como um alcoólatra (Chaney morreu em decorrência do alcoolismo que o afligiu por anos). Triste semelhança.


Por fim, o último grande lançamento da Universal foi “O Mostro da Lagoa Negra”, de 1954. Na história, um grupo de pesquisadores na Floresta Amazônica, é “atacado” por um monstro meio homem, meio peixe. Na verdade, além de defender o seu lar dos invasores, o monstro se apaixona por uma das cientistas, que era, mesmo para os padrões da época, uma coisa de louco... A cena onde ela nada no rio, usando um maiô branco justíssimo ao corpo, me dá “coisas”, como diria o Dr. Chapatin... Uma espécie de Cléo Pires da década de 50.  

O filme é uma grande crítica ao avanço desmedido da civilização, e as inúmeras  agressões ao meio ambiente das espécies animais... Isto em 1954! O filme não tem  grandes atuações individuais, mas no contexto geral, é um ótimo filme.


Outro destaque importante são os extras dos DVD’s. Cada disco traz como bônus, um documentário explicando muitas coisas sobre o filme, entrevistas com atores, compositores, roteiristas, críticos e pesquisadores de cinema, além de fotos e imagens de pôsteres da época de lançamento dos filmes. É coisa para assistir ajoelhado.

Eu lembro quando eu era guri, e meu pai assinou a “novíssima e moderníssima” NET. Na época, no meio dos anos 90, a NET transmitia o canal da Universal, e todo sábado de manhã, passava um destes clássicos. Eu tenho ótimas lembranças de acordar e correr pra frente da TV para poder assistir a um destes filmaços.

Hoje filmes de terror são desculpas para mostrar tetas, bundas e mutilações, além de baldes de sangue. Eu adoro tetas, bundas, mutilações e baldes de sangue, mas tem de haver um contexto mínimo na história pra que a gente, como telespectador veja e assimile isso. Sem uma história boa, uma boa direção e boas atuações, tudo vira uma espécie de “Roberto Carlos Especial”, uma coisa sem pé e nem cabeça, que é requentada há 40 anos.

Outras sequências foram lançadas, mas nada relevante.

Eu amo esses filmes, e os assisto sempre que posso.


Espero que gostem.




Um abraço.

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Trovando sobre: ARTISTAS QUE DEVERIAM TER SIDO GRANDES


Iaiiiiiii,

Este texto foi reescrito por um motivo muito especial. É o primeiro texto que foi lido por ti, aqui no meu humilde blog, e talvez por causa desse texto, eu tenha ganhado um leitor e colaborador tão importante quanto tu. Espero que eu consiga melhorar (da outra vez, não curti o texto, por isso, apaguei o “dito cujo”), nessa nova tentativa.

Vou citar artistas que, na minha opinião, deveriam ter tido muito mais reconhecimento do que receberam e recebem em suas carreiras. Adianto que sou fã de todos, e acredito muito no trabalho de cada um dos citados.



Tom Petty.














Excelente compositor, grande guitarrista e produtor nas horas vagas. Tom Petty é um cara que nos Estados Unidos é bem conhecido e admirado, mas fora de lá, é praticamente “cult”.

A obra de Tom Petty é muito influenciada pelo trabalho do soberbo Bob Dylan (Petty e Dylan são amicíssimos, tendo tocado juntos diversas vezes). Tom Petty é conhecido por ser um cara de temperamento dócil, porém de fortes convicções. Certa vez, se ofereceu, junto com sua banda, os Heartbreakers, para servirem de banda de apoio para Dylan poder excursionar pela Austrália. Conta-se que Petty teve um prejuízo financeiro considerável, mas perguntado sobre o assunto disse algo mais ou menos assim: “Não ligo para dinheiro. Já ganhei muito. Toquei com Bob pelo prazer, pela satisfação de tocar com meu amigo e ídolo. Eu pagaria para tocar com ele em qualquer lugar”.

Talento, personalidade e humildade definem esse baita artista.




Bad Company.













Quando estes ingleses formaram essa banda fantástica, em meados dos anos 70, foram taxados de “o próximo Led Zeppelin”. E isto, obviamente, pesou contra eles. Com uma pegada crua de Hard Rock, com um baita baterista (Simon Kirke) e um dos melhores cantores de Rock de todos os tempos (Paul Rodgers), a banda lançou pelo menos dois discos absolutamente clássicos (os dois primeiros). Mas como dito antes, serem comparados a maior banda da época, e um dos maiores ícones da música, pesou negativamente sobre os ombros desses ingleses. 

Após brigas internas (por motivos pouco óbvios no Rock: Drogas, álcool e dinheiro), a banda foi trocando de membros até perder suas características.

Ainda tocam nos dias em hoje, com Kirke e Rodgers de volta à formação da banda... E ainda arrebentam.




Bob Seger.

















Esse senhor sempre foi um mistério. Cantor e compositor de mão cheia, fez muito sucesso nos anos 70 especialmente, mas que nos anos 80,90 e 2000, praticamente sumiu. Ainda se apresenta nos Estados Unidos, basicamente e de forma muito esporádica. Um cara que compõe canções como "Still The Same", “Night Moves”, “Turn The Page” (regravada pelo Metallica, e com direito a um vídeo clipe muito, mas muito impressionante sobre o cotidiano de uma prostituta), “Like a Rock”, e a nada menos do que perfeita “Against The Wind”, é definitivamente, um gênio.

Lembro de estar me sentindo muito solitário em um verão em Mariluz, e essa música toda vez que eu botava pra tocar, conseguia me fazer refletir e repensar sobre muitas coisas...





Linda Ronstadt.












Tu bem sabe que eu sou "chato pra dedéu" com cantoras. Mas essa americana com descendência mexicana (gravou um disco apenas de boleros e rancheiras, que é capaz de fazer o Roberto Justus se emocionar a ponto de doar R$ 10,00 para um abrigo de animais), é uma das melhores cantoras que eu já ouvi nessa vida. Linda dosa a técnica, com a emoção, sem necessitar fazer “punhetas” com a voz, como fazem certas “artistas”. 

A versão dela de “Blue Bayou” do incomparável Roy Orbsion é talvez, da mesma qualidade que a original. Dá pra imaginar isso? Se igualar a Roy Orbison?





Primal Scream

















Se os Rolling Stones tivessem surgido nos anos 90 e curtissem tomar ecstasy, eles seriam o Primal Scream.

Banda inglesa que foi pioneira ao fundir levadas de dance music, com melodias e letras de Rock. O primeiro álbum da banda, chamado “Screamadelica”, é objeto de culto e estudo até hoje. O vocalista Bobby Gillespie é uma figuraça. Só pra tu ter uma ideia, o Primal Scream já lançou discos (não músicas, discos!) com influências de Rock, de Dance, de Blues, de Soul, de música eletrônica, de música africana, de punk e mais alguns outros estilos.

Curto muito essa coisa de não se prender a fórmulas. Afinal de contas, não foi esta lição que os Beatles nos ensinaram, Nica?



Estes foram alguns dos meus "injustiçados" do Rock.


Espero que tu goste.



Abraço.


  

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Trovando sobre: BLACK SABBATH EM PORTO ALEGRE


Olha, eu já fui em alguns shows históricos na minha vida,  e depois de cada um destes shows, ou eu, ou alguém da imprensa, ou algum amigo meu, ou algum fã reclamou de algo. E quanto ao nada menos que HISTÓRICO show do Black Sabbath em Porto Alegre, eu não ouvi nada que alguém pudesse dizer de negativo do show. E também nem poderia.

Eu não vou bater na tecla de quanto o Sabbath é clássico e influente e como os seus discos (especialmente os cinco primeiros) são absolutamente fundamentais na coleção de qualquer ser humano que aprecie Rock N’ Roll. Eu prefiro me concentrar no show em si.

Em primeiro lugar, se eu fosse um integrante do Avenged Sevenfold, do 30 Seconds To Mars, ou de qualquer outra bobagem parecida com essas duas “bandas”,  e eu visse o que foi o show do Sabbath, eu encerraria a minha carreira de “músico”.

Desde os primeiros acordes de “War Pigs” o jogo já estava ganho para os vovôs. Quando Ozzy abriu a boca para cantar a primeira frase, ele já tinha completo domínio daquelas milhares de pessoas que estavam no estacionamento da FIERGS.  Bom, eu prefiro ouvir o Ozzy fazer gargarejo do quê ouvir o melhor show de algumas “bandas” e "artistas" que a gente vê e ouve por aí...

Penso que o quê Geezer Butler faz com o contrabaixo, deveria ser objeto de estudo por escolas sérias de música. O cara toca as linhas de baixo, praticamente como se fosse uma guitarra, tamanha a técnica e a força que ele coloca nas cordas. Além disso, ele é o principal compositor das letras do Black Sabbath. Ver Geezer ao vivo tocando “Children of The Grave”, “N.I.B.”, entre outras foi algo muito bonito, pois era uma parte da história do Rock sendo reproduzida ali, na tua frente, na tua terra.

Ozzy Osbourne é um dos mais carismáticos e emblemáticos vocalistas do Rock N’ Roll. Ele definiu algumas regras sobre como cantar Rock e sobre como um vocalista de Rock deve se portar em cima de um palco.  A voz continua muito boa e ao ouvir “Paranoid” e “Fairies Wear Boots” ao vivo, deu pra ver claramente que ele ainda é um dos grandes cantores vivos atualmente.

Ainda por cima, é extremamente gentil e brincalhão com o público. No show, não sei por que cargas d’água, ele resolveu imitar um relógio cuco, durante o show. Coisa de louco... Coisa de Gênio.

O batera Tommy Clufetos é um excelente músico e foi uma ótima escolha para substituir Bill Ward. Bill Ward não tem mais condições de saúde e físicas (e até mesmo psicológicas) de tocar um show inteiro com essa intensidade e pegada que tem o show da banda. O quê Clufetos fez durante e após a música “Rat Salad”, foi inacreditável. Geralmente solos de bateria são muito chatos, mas o do cara foi muito bom.  Eu vi pessoas dançando durante o solo!

Aí meu amigo, veio o principal motivo de eu ter ido ver o Black Sabbath...  E esse motivo se chama Tony Iommi. Tony Iommi é simplesmente, o pai do Heavy Metal e um dos guitarristas mais influentes da História da Música.  Quando o riff de “Iron Man” ecoou na FIERGS, eu olhei pro lado e pra trás, pois eu ria sozinho, e me lembrava de quando eu tinha 15 anos e ouvi o disco “Paranoid” pela primeira vez. Fui transportado no tempo.  Ah, e nessa hora, eu também vi homens com a idade do meu pai aos prantos. Foi uma coisa emocionante de se ver... . Essa reação pura dos fãs.

Tony Iommi no momento está se tratando de um câncer, e quarta-feira à noite, parecia mais forte, mais saudável e mais “afiado” do quê qualquer menino de 20 anos. Além da lição de música, foi também uma lição de vida.

Decididamente, foi uma noite histórica e inesquecível, que vai ficar pra sempre na minha memória.

Que show... Que show! . Acho que a minha “ficha ainda não caiu”.

É mais uma história pra contar para os netos.





Um abraço.

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Trovando sobre: COMÉDIAS

Eu confesso que sou um cara exigente com comédias. Dificilmente vejo alguma e me mato de rir, ou digo: "Uau, que filmaço"!.Convenhamos, humor é uma coisa muito peculiar, o que é muito engraçado pra mim, pode não ser pra ti.... Então por este motivo, resolvi listar as comédias que mais me agradaram até hoje. Se alguém discordar de algo, ou quiser acrescentar alguma coisa, sintam - se em casa! Vamos lá:


Minha Mãe é Uma Peça - 2013





















Vi no cinema há pouco tempo (e assisti em dvd também). Sou muito fã do excelente humorista Paulo Gustavo, assistia sempre o programa "220 Wolts", exibido no Multishow. Neste hilário filme sobre a mãe do protagonista (baseado na peça de teatro homônima), eu literalmente passei mal de tanto rir. A atuação do cara é muito, mas muito divertida. Juro que em em certos momentos, eu reconheci a minha própria mãe como a "Dona Hermínia" do filme. Além de ser muitíssimo engraçado (a cena da coleta de fezes da Marcelina é uma das coisas mais geniais que eu já vi), o filme tem um lindo momento dramático, onde um falecido primo do ator é homenageado. Recomendado!

Os Picaretas - 1999





















Eu adoro o trabalho deste genial ator, roteirista, diretor e músico chamado Steve Martin. Esse senhor, praticamente, ditou as regras da comédia (stand up, cinema, teatro e roteiro) desde a década de 70. Dizem que é extremamente inteligente, com um QI altíssimo. Nesta comédia maravilhosa Martin, tira um sarro gigante da indústria do cinema, onde ri de produtores medíocres, atores "estrelas", que fazem qualquer coisa (e dormem com qualquer ser vivo) por um papel, ele tira um sarro até da ridícula "religião" Cientologia. Bob Bowfinger é um dos grandes personagens deste MESTRE. Martin além de tudo isto, ainda consegue um milagre durante as filmagens, pois retira de um há muitos anos, patético Eddie Murphy, uma de suas mais geniais atuações. Uma palavra para definir este filme: Genial.


Férias Frustradas - 1983
















Esse é tiro certo e óbvio, eu admito. Qualquer ser humano que tenha ido ou vivido uma "indiada" vai rir uma cachoeira assistindo à este clássico da Sessão da Tarde. A saga dos Griswold's é uma epopéia de erros e situações bizarras. É uma tia que morre na viagem, é o assalto no bairro barra - pesada da cidade, são os parentes distantes e caras de pau ao extremo, é a cama do hotel que parece uma batedeira, o parque de diversões fechado, enfim.... São inúmeras situações surreais que esta família se envolve durante a sua saga por férias perfeitas. Dou risada até hoje quando vejo.

Quanto Mais Idiota Melhor - 1992














Clássico, clássico e clássico da minha geração. Eu nunca vou esquecer o impacto que este filme causou em mim. Aluguei despretensiosamente a "fita" e ao assistir, vi uma retratação quase perfeita do cara que era jovem e gostava de Rock nos anos 90. Wayne e Garth mostravam com um senso de humor exato o que era importante para um guri de 15 ou 16 anos na época:  festa, rock, gatas e os amigos. Não dá pra enumerar as partes mais engraçadas, pois mesmo que tu morasse no Himalaia, tu ia te identificar com alguma situação e rir sem parar. Ah, e a  parte 2 é muito boa também. Assista os dois agora, se puder!!!


Um Príncipe em Nova York - 1988





















Deste filme, só não ri quem estiver morto há 07 dias. A melhor atuação de Eddie Murphy no cinema. Direção do Mestre John Landis, elenco estupendo e uma história simples, porém encenada de maneira ímpar. Eddie Murphy e Arsenio Hall interpretam uns 200 personagens neste ótimo filme, onde TUDO  dá certo. Se eu tenho que sair e está passando na TV, ah, meu amigo, pode ter certeza que eu vou me atrasar.... Se eu estiver com fome, vou comer depois..... Se eu estiver com sono, vou ter de aguentar..... Este filme foi feito há mais de 20 anos e continua engraçado e único. A cena onde o Eddie Murphy interpreta Randy Watson, líder da banda "Chocolate Sexual" é uma.... É uma.... Não dá.... Não consigo! Não paro de rir, só ao lembrar da cena!!!!!!!!  
Não vou nem mencionar as citações ao "sexy" shampoo "Soul Glo".....

Espero que gostem.

Abraço.

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Trovando sobre: BRUCE SPRINGSTEEN NO ROCK IN RIO 2013


Paixão, alegria, entusiasmo, sinceridade, gratidão, atitude, tesão. Todas estas palavras  definem sentimentos. Mas, é realmente possível descrever sentimentos?

Todas estas palavras (ou sentimentos)  podem descrever o que foi o show de Bruce Springsteen no Rock In Rio 2013. Não pude assistir sábado passado ao vivo, pela TV, pois estava no histórico show do Sebastian Bach em nossa cidade, na Sociedade Orpheu, então assisti a reprise do show de quase 03 horas de duração (em São Paulo, o show durou inacreditáveis 3 horas e 40 minutos!). Até deixei o Grêmio de lado, para poder conferir o show mais elogiado dos últimos anos no Brasil.

Eu já tinha visto um show do cantor em DVD, o maravilhoso “Live At Barcelona”, onde a platéia dá show e BERRA TODAS as letras das músicas do setlist.

Mas o que eu vi ontem ultrapassou todos os limites do possível, do bom gosto, do carinho, do respeito à música e da "entrega". O show iniciou com a canção “Sociedade Alternativa”, do maior compositor brasileiro de todos os tempos, chamado Raul Seixas, em uma versão não menos que brilhante (cantada TODA em um português melhor do que o Latino é capaz de pronunciar) e encerrou com uma versão que arrancaria um sorriso do próprio John Lennon, de “Twist And Shout”.

Não vou falar do setlist. Me nego. Como definir em palavras o repertório de um artista que em sua discografia NUNCA lançou um álbum fraco, e apresenta ao vivo, obras de Arte do porte de “Bobby Jean”, “Hungry Heart”, “Dancing in The Dark”, “I’m On Fire”, “Waitin’ On A Sunny Day”, “My City Of Ruins”, “Thunder Road”, “The Rising”, entre outras, não pode ser classificado como outra coisa, se não epifania. Talvez o melhor adjetivo para definir o que eu vi ontem, seja esse mesmo.... Epifania. Em certo momento do espetáculo, o artista pergunta: “Vocês estão sentindo o astral?”. Porra, Bruce! Meu avô que morreu há 6 anos podia sentir o astral!!! 

Nunca vi um artista com tanto amor pela música e respeito pelo público. Ver aquele senhor de 64 anos no palco, com uma alegria (sincera) de criança na cara, durante toda a apresentação, entregando o seu coração em cada canção, interagindo com a platéia, passando sua guitarra nas mãos dos fãs, abraçando e carregando outros fãs no colo, passando o microfone para um menininho cantar um trecho de “Waitin’ On A Sunny Day”, foi de arrancar lágrimas de alegria.  E de mim, o senhor Bruce Springsteen arrancou estas lágrimas. Fazia anos que não eu não via um show tão perfeito, tão humano.... tão de verdade.

Bruce trata as pessoas (fãs, ou não) como ele gosta (ou deve gostar)  de ser tratado.

A “E Street Band” é outro show à parte. Além de todos serem músicos do mais alto nível, é visível o clima de amizade e camaradagem entre os seus integrantes e o “The Boss”. Bruce brinca  com os caras, se comunica com eles em diversas vezes, apenas com olhares, como se estivessem dando seu primeiro show. Isto é muito bonito, raro e até mesmo puro, já que, especialmente nos dias de hoje, bandas são EMPRESAS, sim é isto mesmo! EMPRESAS! Black Sabbath, Bon Jovi, Rolling Stones, Slayer, Iron Maiden, Roupa Nova...  Todos estes exemplos e mais um milhão de outros. Não estou criticando estes grupos, na maneira como conduzem suas carreiras (cada membro com SEU empresário, com SEU camarim, com SUAS exigências), mas ver um grupo de AMIGOS tocar, me fez lembrar dos sonhos que qualquer um tem quando forma uma banda... Fazer música e vencer junto dos amigos. É pena que o sucesso, na maioria das vezes, nos transforma em seres individualistas e egocêntricos. E isto é muito comum, especialmente com músicos...

Jurei a mim mesmo, que se Bruce Springsteen vier ao Brasil novamente e tocar no coração da Amazônia, estarei lá. Preciso ver aquilo de perto. Preciso sentir aquilo de perto. Preciso vivenciar de corpo presente o que vi ontem pela TV.

Ontem Bruce Springsteen fez com que eu me lembrasse do porque eu amo a música. Do porque eu compro cd’s e dvd’s. Do porque eu vou a shows. Do porque eu compro camisetas de bandas. 

Do porque eu escrevo textos neste blog que pouquíssimas (e especiais) pessoas leem.

Eu faço tudo isto porque eu não me adapto a este mundo. E acho que nunca vou me adaptar. 

Graças ao senhor Bruce Springsteen eu pude ver, que eu não sou o único que pensa desta maneira.

Não estamos sozinhos. Ainda existem heróis neste mundo. Bruce Springsteen é um deles.

Deus te abençoe Bruce. Muito obrigado, do fundo do meu coração.




Um abraço.

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Trovando sobre: OASIS


Minha vida mudou em 1995. Minha vida melhorou em 1995. Em 1995, minha vida era incompleta e eu não sabia... Só soube graças ao meu grande amigo Eduardo Vieira.  Em 1995, o Eduardo foi passar férias em São Paulo, mais precisamente, em Capivari, na casa do igualmente grande amigo, Andreas Campaci. Pois bem, um dia, esses dois malucos dando uma banda, resolveram alugar uns filmes, umas “fitas”, pra ser mais exato (não esqueçam que o ano era 1995).

Não sei por que cargas da água, o Eduardo resolveu alugar uma fita de um show de um grupo de Rock inglês chamado Oasis. A fita era o inacreditavelmente maravilhoso show “There And Then”. O Eduardo pirou com aquilo. Imagino que deve ter sido como um baque, um susto, ver que aquela banda sintetizava TUDO o que tu gosta em termos musicais. Muito esperto que é, meu amigo Eduardo resolveu fazer uma cópia da fita, usando dois vídeocassetes (imagino a mão que deve ter sido), para que ele pudesse trazer uma cópia na volta da viagem.

Um dia toca o telefone da casa do meu pai, e era o Eduardo. Não me lembro das palavras dele, mas deve ter sido algo mais ou menos assim: “Daí seu merrrrrda, cheguei de São Paulo, vem aqui em casa beberrrr umas!”. Lógico que eu fui na mesma hora.

Chegando lá ele me pergunta se eu conhecia Oasis, e digo que não, pois eu nem tinha ouvido ainda o mega sucesso “Wonderwall”. Pois bem, o cara então, pega duas cervejas, e coloca o show pra rolar na TV. Enlouqueci na hora. Sério, foi uma sensação de descoberta que mudou algo dentro da minha alma.

O significado do Oasis na minha vida é muito importante. Foi a primeira banda da qual fui fã mesmo, do tipo seguidor, de comprar revistas, de recortar reportagens, de ir na Unisinos só pra imprimir fotos, de gastar todo o pagamento com os caríssimos cd’s importados. Eu via no Oasis, tudo o que eu gosto na música (som e atitude).

Noel Gallagher foi o maior compositor dos anos 90 (desculpa, Cobain), canções como “Wonderwall”, “Champagne Supernova”,  “Some Might Say”, “Don´t Look Back In Anger”, “Live Forever”, “Acquiesce”, “Supersonic”, são hinos e não meras músicas... E eu poderia, facilmente, citar mais uns vinte hinos compostos pelo grande compositor, cantor e guitarrista.

Liam Gallagher era uma mistura de John Lennon, Johnny Rotten, e Joe Strummer. O cara era a atitude em pessoa. A presença de palco beirava o surreal, tamanho o carisma e a coragem do cara.  Eu me vestia como ele, andava como ele, tentava ter a mesma atitude na minha vida, de não ter medo de nada, de viver o hoje, de aproveitar a vida. De poder “viver para sempre”.

Tive o privilégio de ver dois shows da banda em 2001 (no Rock In Rio 3) e 2009 em Porto Alegre,  sendo que em 2009 foi realizada a última turnê da banda, que acabou por causa das clássicas brigas dos irmãos. Até que durou muito, pois o Eduardo e eu sempre soubemos que um dia, o Oasis chegaria ao fim por este motivo.

O Oasis nunca lançou nenhum disco ruim. Nunca. Alguns discos não são tão maravilhosos quanto outros, mas todos tem músicas maravilhosas. Pode conferir.

Ainda é uma das minhas bandas preferidas, e eu ainda me emociono ouvindo ou vendo, pois me traz  recordações de uma época muito boa, em que viver era só me divertir, sem pensar muito no futuro. Uma época de viver o “hoje” e só.

Obrigado Liam, Noel, Eduardo e Andreas.

Vocês vão viver para sempre no meu coração.





Abraço.