domingo, 15 de abril de 2012

Trovando sobre: POR QUÊ COMPRAR MÚSICA HOJE EM DIA?

Pode parecer estranho mas, a MTV já tocou música em 80% de sua programação, e os VJ's REALMENTE conheciam as bandas. Em 1992, 93, por aí, a internet ainda não havia chegado até nós, então, meus amigos, quem não tinha TV à cabo, e queria saber, ouvir ou ter acesso ao que tocava nas rádios, nas novelas, nas festas, tinha de sair de casa e comprar o LP, a fita K7, ou os novíssimos (e caros) Compact Discs, os populares CD's.

Se tu queria entender o que as bandas, cantores ou cantoras cantavam, tu tinha três opções: cursinho de inglês, comprar as maravilhosas revistas BIZZ, e ir na seção central, que era "BIZZ - Letras Traduzidas", ou tentar traduzir com um dicionário de inglês, lendo o encarte (se no encarte estivesse encartado as letras, porquê as vezes, as gravadoras, por questão de economia, não encartavam as letras).

Eu lembro de ir de ônibus Central (ão), até NH, no Taj Mahal, no paraíso dos CD's e LP's, a loja JAM SONS RAROS. Eu também me aventurava a ir até Porto Alegre, mas lá era um lance diferente, os vendedores de Porto Alegre, são arrogantes e preguiçosos (a maioria), mas na JAM era e ainda é diferente.... Tu entra lá e se tempo não for problema, pode esperar, tu vai ficar na loja pelo menos, uma hora batendo papo e ouvindo algo que os vendedores estiverem ouvindo. Eu entrava lá e pedia, Oasis, por exemplo, os caras falavam de Oasis, e mostravam outras bandas, bandas que influenciaram Oasis, eram contemporâneas ao Oasis, coisas raras do Oasis... Era uma aula.

Depois voltar pra casa (sem um pila no bolso), mas doido pra chegar e abrir a embalagem e ouvir aquilo que as vezes demorou dois meses pra chegar no Brasil, ou se o CD era "bootleg", (na época a gente chamava de "pirata") então o disco não era oficial, era um show, ou algo que eles tocaram informalmente, esses particularmente, eram caríssimos, mas tu praticamente tinha exclusividade naquilo ali, tu não tinha o 4Shared para baixar o show que os caras fizeram ontem, e vinte  minutos após o fim do espetáculo o áudio esta lá disponível para download, pra quem quiser baixar (com um som horrível, se for ao vivo).

E o ritual naquelas priscas eras, meu Deus, o ritual.... Eu sempre ouvia a primeira vez sem fones, para ter uma noção, e depois ouvia com os fones, para então realmente ouvir e perceber os detalhes... Recomendo à todos ouvirem o Sgt. Peppers, dos Beatles e o The Bends, do Radiohead!!! (sim, eu já gostei do Radiohead.... ) usando fones, sem ler, sem fazer nada, apenas "saboreando", o disco  como ARTE, e não como um produto do jeito que é hoje... Ou vão me dizer que as letras do Black Eyed Peas, são Arte.... são um produto, sua finalidade é uma só, tocar na festas e vender shows com playback (bah, acho que desde  1993 ninguém ouve a voz da Madonna ao vivo). Ainda que hoje em dia, eu duvido que algum artista  ganhe disco de ouro, de diamante, de latão por vender CD's originais, exceto os padres, bispos, apóstolos, ou missionários cantores As próprias gravadoras vazam as músicas, para divulgar e é isto. 

Antigamente, em festas o que tocava (tu tinha que levar os CD's, o que era terrível, pois se tu bebesse demais, ou algum malandro estivesse por lá, tu podia perder, arranhar, ou esquecer os disquinhos), eram coisas dançantes, mas era orgânico, quatro ou cincos caras, que tocaram juntos, compuseram aquilo ali, e botaram algum sentimento ali... Como seria hoje em dia, se o Iggy Pop aparecesse e conseguisse uma audição com uma gravadora? Iggy, provavelmente, seria humilhado e motivo de chacota. Artistas como A-ha e Technotronic, eram dançantes e até bregas, mas convenhamos que, dançar A-ha  ao invés de Britney Spears, é beeeem diferente.

Enfim, acho que se tu te propõe a gastar teu dinheiro para comprar um CD (original, diga-se de passagem), tu é uma pessoa que, (não importa o estilo musical) apóia uma cultura, saudosista, até pode ser,  pois a pirataria é ótima, acabou com o coronelismo das gravadoras, gravadoras estas que elegem como "Diretor e Produtor Artístico", "experts"como o Sr. Rick Bonadio, que acha que é um deus, um criador de gênios (gênios como Latino, NX Zero e Restart,  contratados de seu casting, que já contou com ET e Rodolfo, Rouge, B'roz e aquela aberração, chamada Belo). Mas pior do que isso, é ver caras como o Lars Ulrich, que acham certo cobrar exorbitâncias por um CD, o que eu acho um absurdo, pois se uma loja vende um CD que custou 4,00 para prensar, gravar e colocar encarte, e quer vender a R$ 30,00 é óbvio que o cara vai no pirata, ou vai baixar. O grande lance, resumidamente, é que hoje em dia, segundo o Neil Young, é que não se pára, para ouvir música. Ela não é o principal elemento de lazer na tua casa, na festa  que tu vai, ou quando tu está na internet, ela fica em segundo plano. Neil Young diz que, no futuro, as pessoas vão ter CD's, ou LP's em casa, como quem tem uma estátua, ou um adereço na mesa da sala.

Sou saudosista, sou idealista, posso ser tudo isso (e outras delicadezas), mas adoro ir na JAM até hoje, ou achar uma raridade no Mercado Livre ou em algum sebo por R$ 15,00...
sou inocente e puro, fazer o quê?


"Quando estamos sozinhos, completamente sozinhos, a música é nossa única amiga."
Keith Richards.



Abraço.

sábado, 17 de março de 2012

Trovando sobre: O PODEROSO CHEFÃO







Esta semana se completam 40 anos do lançamento do "Maior Filme Americano de Todos os Tempos", segundo a revista Rolling Stone. Para mim, este título é totalmente merecido e justo. Neste exato momento, o canal TCM está passando esta obra-prima do diretor Francis Ford Coppola e do genial escritor Mario Puzo, que escreveu o livro que originou o roteiro do filme. 

Estou assistindo pela 989ª vez e todas as vezes que assisto, percebo detalhes e nuances que antes me passaram despercebidos. Em primeiro lugar, este é um filme com atores simplesmente soberbos. A atuação de Marlon Brando (que ganhou o Oscar, e o recusou) como o patriarca e "fundador" da famíla = império Corleone é uma epifania. Toda a satisfação de possuir o poder de mandar matar ou deixar viver, de ter toneladas de dinheiro, de ser respeitado por TODOS, o astro passa com uma naturalidade excepcional, bem como a angústia de ter de fazer sacríficios e ter de viver sempre "mantendo seus amigos perto e seus inimigos mais perto ainda". Mas ao contrário do que todos pensam, Vito Corleone não é o grande "Padrinho", da família. Vito é um coadjuvante, pois o grande personagem do filme, e um dos maiores personagens da História do cinema chama-se Michael Corleone, interpretado pelo ícone da 7ª arte chamado Al Pacino.



Michael é um herói de guerra, militar condecorado e de futuro promissor na política, mas que, devido a necessidades que surgem (o irmão Sonny é cabeça quente e não separa negócios de assuntos pessoais, e o irmão mais velho Fredo é um fraco), é obrigado assumir a liderança da família, quando Vito adoece e posteriormente, falece. Para mim, o que torna o personagem tão completo, tão humano e tão admiráel, é que Michael é um tipo de herói (sim, herói) perfeito. Eu acredito que um grande herói, um verdadeiro herói, é aquele que sacrifica QUALQUER coisa por um bem maior, que no filme, vem a ser a sobrevivência e expansão da família. Michael precisa ser forte, pois os demais são fracos, e ele não pode se dar à este luxo. Em sua jornada de vitórias profissionais e derrotas pessoais, Michael comete dois erros fatais em sua trajetória. O primeiro é se casar com aquela coisa insossa e chatérrima chamada Kay Parker. No início da trama ela se casa com Michael e desde o pricípio, ele deixa claro o que faz, e de que necessita de seu apoio, principalmente quando as adversidades surgirem, mas quando estas adversidades surgem, ela abandona o marido e ainda por cima aborta o terceiro filho do casal (a cena onde ela conta pro Michael que fez um aborto porquê não queria pôr outro membro "daquela família" no mundo, e Michael reage intempestivamente, vale por pelo menos, umas seis aulas na faculdade de Cinema).

O outro erro fatal é, após ser traído e sobreviver a um ataque arquitetado pelo irmão Fredo, em sua própria casa, Michael decide mandar matar o próprio irmão, causando um grande mal dentro de sua própria família. Fredo deveria ter sido banido, e pronto. A atuação de Pacino nestas cenas e em inúmeras outras, é algo que nunca foi ou mesmo, será visto outra vez na História da atuação. O mais engraçado é que a princípio, a Universal Pictures não queria de jeito nenhum, que o iniciante Al Pacino interpretasse Michael. O estúdio queria Robert Redford, Warren Beatty, Paul Newman e até mesmo, James Caan (que interpreta Sonny, irmão mais velho de Michael).

Mas o que "amarra" o filme, além das ótimas atuações, é roteiro brilhantemente escrito. Nunca um filme trouxe tantas falas que se tornaram clássicas e icônicas, frases que as pessoas repetem até hoje, e nem sabem que estas frases, são retiradas do "Poderoso Chefão".

Citar minhas cenas preferidas é impossível, pois são tantas... Mas agora está passando a maravilhosa cena do batismo do sobrinho  e afilhado de Michael, onde enquanto os inimigos da família são exterminados um a um, Michael recebe a hóstia e "renega o Demônio e renega o Mal".... Soberbo é um adjetivo minúsculo para definir isto! Essa cena mostra a gênese de todos os seres humanos: Ninguém é totalmente bom, ou totalmente mau. Somos santos e demônios, depende do ponto vista.

A parte II da trilogia, é considerada simplesmete a melhor continuação de todos os tempos e foi a primeira sequência a ganhar Oscars (11 ao total!).

A parte III, apesar de ser indiscutivelmente, a mais fraca da saga, na minha humilde opinião é muito boa, o filme todo vale pela poética, e ao mesmo tempo melancólica cena da morte de Michael Corleone.

Coppola tem o mérito de ter tido a coragem de fazer o filme da maneira que quis, da maneira que Mario Puzo e ele sentiam que devia ser feito, ao contrário de "cineastas" atuais, que mais visam a bilheteria ou então tentam ser ser "profundos", fazendo coisas chatas e monótonas, na desesperada tentativa de ganhar o Oscar (prêmio que pra mim, assim como o Grammy, valem tanto quanto uma lata de Skol quente).

Todo homem deve assistir a trilogia, ao menos uma vez na vida. É transformador. Eu sei por experiência própria.


Grande Abraço.




sexta-feira, 2 de março de 2012

Trovando sobre: DOCUMENTÁRIOS SOBRE ROCK

Amigos,

Para este post, pensei em citar alguns de meus documentários preferidos sobre Rock. 

Falarei de filmes sobre o tema ou personagens deste estilo musical que eu amo profundamente. 

 Então, vamos lá:


Bob Dylan - No Direction Home











Filme idealizado e dirigido por Martin Scorsese, um imenso fã de Dylan, que sempre sonhou em tentar desvendar a alma do bardo, que à princípio sempre se mostrou arredio a entrevistas e "interrogatórios", sempre preferindo deixar que seu público tirasse suas próprias conclusões. O filme é extremamente revelador e mostra situações completamente absurdas.

 Cito dois exemplos: Quando Dylan resolveu "eletrificar" seu som, após ser muito influenciado pelos Beatles, Dylan vai a um festival de música folk, onde tinha apresentação marcada e sem se importar com opiniões, críticas, ou qualquer coisa assim, o cara leva uma banda completa!!! E toca como se o mundo fosse acabar!! Pete Seeger, um dos "pais" do movimento folk enlouqueceu e queria cortar os cabos de eletricidade com um machado, enquanto Dylan ria histericamente... O outro "causo", se refere, quando um repórter (a imprensa naqueles tempos, ainda não estava acostumada com a revolução proveniente da contra - cultura, achava que os artistas tinham resposta para tudo), pergunta pro Bob: "Quantos cantores de protesto como o Sr., labutam nos dias de hoje?", Dylan olha pro repórter e diz: "Quantos?", e o repórter: "É, quantos?", no que Dylan manda com a cara mais deslavada do mundo: "116". É de chorar de rir...

Além de mostrar também, trechos do mitológico show em Manchester, na Inglaterra em 1966, onde um fã exaltado e injuriado por Dylan ter aderido à guitarra elétrica, o chama de "Judas"... Sabem o quê o mestre faz? Diz pro cara algo assim: "Você é um mentiroso... Eu não acredito em você!" com voz de choro.... Não satisfeito, vira-se para a banda e diz: "Toquem MUITO alto!!!" G -E-N-I-A-L.


Elvis Presley - Elvis É Assim

Elvis no auge da forma física. Treinava com um campeão de boxe. Era faixa preta de Karatê.

Estava sem fazer shows ao vivo há cerca de 9 anos. Resumidamente, o cara estava com gana, com "sangue nos olhos". É uma aula, simplesmente. 

Se um ser humano na vida um dia, pretender cantar na frente de outra pessoa, aqui está o passo à passo. O domínio de palco e platéia, o carisma, a qualidade dos músicos e principalmente a voz do maior cantor do século XX em plena perfeição, são fatores que fazem deste documentário indispensável pra qualquer fã do gênero. O documentário mostra os ensaios para o show, além de cenas de bastidores e momentos de descontração. De arrepiar do início ao fim.





The Beatles - Anthology


A bíblia dos Beatles. Confesso que o livro é bem melhor (por ser mais detalhado e trazer fotos incríveis), mas esse documentário se faz necessário por um motivo gigantesco... nos extras, os três Beatles remanescentes tocam juntos na casa de George Harrison!!! Algo que os Beatlemaníacos como eu esperaram por mais de 30 anos!!! Além disso, é emocionante ouvir as histórias dos caras (o encontro com Elvis em 1965, as sacanagens na época de Hamburgo, a maneira tocante como Paul conta como conheceu John, em 1958 em uma quermesse de igreja). 

Apesar de mascarar e muito, as histórias mais "cabeludas", como o envolvimento de John com heroína, a interferência (negativa) de Yoko Ono na sinergia da banda, a tensão visível entre Paul e George durante as filmagens mais atuais, o documentário vale por esses motivos e outros motivos como ouvir Paul falar ao fim das 10 horas de duração de filme: "Éramos apenas um bandinha boa..."  com uma humildade extraterrestre, é único.





The Last Waltz











Olhem para o cartaz... Olhem quem dirige. Olhem quem toca. 

The Band, foi a banda que durante muito anos, acompanhou Bob Dylan, este filme, é um documento sobre o encerramento das atividades da banda, após vinte anos juntos. Martin Scorsese dirigiu o filme de graça, pois nem existiria filme se não fosse o amor do diretor pelo trabalho da banda. O filme é um desfile da nata do Rock N' Roll. Gente do calibre de Ron Wood, Eric Clapton, Van Morrison, Muddy Waters, Ringo Starr, Ronnie Hawkins, The Staple Singers e Neil Young (completamente alucinado sob o efeito de cocaína), são alguns dos nomes que se apresentam e prestam tributo aos caras. 

Bob Dylan, antigo líder encerra a festa de maneira emocionada e tocante. É um marco na história da música e do cinema. Básico.





A História do Rock N'Roll

Raul Seixas amava este documentário criado pelas revistas Time/Life, e em sua última entrevista em vida o citou como essencial para qualquer adolescente que quisesse entender o "bicho". Pré - História, História e atualidade (até 1995) do Rock N' Roll. 

O filme mostra desde os primórdios do que viria a ser o Rock (Bluegrass, Folk, Blues, Country & Western, Rhythm and Blues, Jazz), até as influências modernas (Rap, Música Eletrônica, MTV). Depoimentos de Elvis, Bono, John Lennon, Tina Turner, Paul Stanley (Kiss), Mick Jagger, David Bowie. Iggy Pop, Joe Strummer (The Clash), Robert Plant (Led Zeppelin), Ozzy Osbourne, entre outros, tornam este documentário absolutamente perfeito. Recomendo aos todos os amigos que quiserem se aprofundar no tema. 

São doze horas de filme que passam como se fossem duas.



Abraço a todos. 




domingo, 26 de fevereiro de 2012

Trovando sobre: GEORGE HARRISON



Hoje, se estivesse vivo, o "Beatle quieto", ou como também era conhecido, o "Beatle gentil", faria 69 anos. George Harrison foi o cara que junto com John Lennon e Paul Mccartney, criou o Rock (sem o "Roll", pois o "Rock" abrange as milhares de influências que estes caras introduziram, influências de música indiana, de música clássica, barroca, experimentações eletrônicas, e por aí vai). Os Beatles começaram como um grupo de Rock N' Roll, mas acabaram sendo o primeiro grupo de Rock da história, muito graças a genialidade deste que pra mim, depois de John Lennon, era  "O cara" dos Beatles. George era o Beatle mais jovem, e através de Paul, que era seu colega de escola, foi apresentado a John e foi aceito por este no grupo, por saber tocar a música "Raunchy", do início ao fim, além de sua mãe permitir ensaios na casa da família.

George no inicio, da carreira, quando começava a compor as primeiras canções, foi muito influenciado por John Lennon, que afirmava tê-lo ensinado a compor (John não era um cara muito modesto).

Se isto realmente for verdade, o aluno aprendeu muito bem a lição. Canções como "Norwegian Wood" (a primeira canção de Rock da história a usar o instrumento de cordas indiano, chamado cítara), "Don't Bother Me", "I Need You", "While My Guitar Gently Weeps", "Here Comes The Sun" e "Something" são alguns exemplos dos clássicos atemporais que o artista criou apenas enquanto esteve com os Beatles. George sempre foi, apesar de fama de quieto um cara bastante comunicativo e de humor ácido e sarcástico. Tinha um temperamento difícil e era extremamente mulherengo. Quando os Beatles filmaram "Help", em 1965, George conheceu um grupo de músicos indianos que participavam do filme, começando aí, seu interesse pela cultura em  geral e pela religiosidade daquele povo. Em 1971, George organizou o primeiro mega show beneficiente da história, chamado "Concert For Bangladesh",  para angariar fundos para ajudar a Índia, que havia sofrido um terremoto gigantesco que deixou o país em um completo caos.

A carreira solo do cara também é um desbunde... O que dizer deste disco:

All Thing Must Pass - 1970




Considerado por fãs e crítica especializada, o melhor disco solo de um ex integrante dos Beatles, lançado meses após a separação, disco este, que incluía várias canções rejeitadas por Lennon e Mccartney, além do produtor George Martin. O álbum traz canções como "My Sweet Lord", "All Thing Must Pass", e "Beware Of Darkness", que tem versos assim:

"Cuidado agora... se cuide
cuidado com os trapaceiros de passos sorrateiros,
Dançando pelas calçadas
Enquanto cada sofredor inconsciente
vaga desorientado...
Cuidado com a tristeza,
Ele pode te atingir
Ela pode te ferir
te afligir e além do mais,
não é para isso que você está aqui."

Outros discos como "33 & 1/3", "Cloud Nine", "Living In The Material World" e "Brainwashed", são maravilhosos também. Gosto tanto da carreira solo do George, quanto do seu trabalho com os Beatles.

Este ano será lançado um documentário sobre a vida do músico, dirigido e produzido por Marin Scorsese, chamado "Living In The Material World", olhem só o trailer:


Entre todas as histórias que são contadas, uma me chamou a atenção. O grupo de comediantes Monty Phyton, teve uma idéia muito interessante para um filme, mas não conseguia financiamento para a realização da obra, pois o filme se tratava de um cara que nasce ao lado de Jesus em uma manjedoura, e só se ferra a vida toda, pois é constantemente confundido com o Messias. O grupo passa o filme inteiro tirando sarro com os cristianismo e seus dogmas, e foi e é até hoje, considerado por muitos como blasfêmia. George hipotecou sua mansão para financiar o filme! No fim das contas, o filme "A Vida de Brian", saiu por quê George disse que "queria ver esta história sendo contada", ou seja, ele pagou o ingresso de cinema mais caro da história!!!

Eu recomendo pra qualquer pessoa ouvir qualquer disco de George Harrison, com ou sem os Beatles, pois com certeza, alguma coisa boa sempre se tira da obra deste genial cantor, compositor, produtor e guitarrista.





Hare Krishna.

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Trovando sobre: U2 - ACHTUNG BABY


Na música, especialmente no Rock N' Roll, uma banda corajosa, é a coisa mais rara do mundo. Mas, pergunto, o que é coragem? Usar calça roxa? Dar entrevista bêbado, pagando de "muso"? Pra mim uma banda, ou artista corajoso, são aqueles artistas que saem da zona de conforto, que se reinventam, que chegam a um ponto, onde para que o jogo fique interessante, é preciso se arriscar e mudar as coisas, criar novidades, para que a banda mantenha o interesse e o tesão, e para que os fãs tomem aquela sacudida, que questionem a arte que lhes é apresentada, que os fãs amem ou odeiem, mas que falem a respeito, que reflitam. Eu acredito cegamente que este é o propósito de qualquer expressão artística de dignidade, fazer quem aprecia a obra, refletir. Os Beatles gravaram 11 discos, TODOS diferentes uns dos outros. O U2 aprendeu a lição dos mestres, ao lançar este disco absolutamente clássico e diferente de tudo que já haviam lançado antes. Tiveram colhões de arriscar tudo com o jogo ganho.

Façamos uma pequena retrospectiva: Na década de 80, não havia grupo mais famoso, que mais vendia, que tinha mais fãs, que era mais rico que o U2. Os shows eram cultos, onde fãs eram seguidores e adoradores daquela banda com o vocalista messiânico que queria salvar o mundo. A banda já tinha ganhado muito dinheiro, já havia conhecido e tocado com seus heróis, já tinham composto canções maravilhosas, e lançado álbuns antológicos como "War", "The Unforgettable Fire" e  "The Joshua Tree", só para citar alguns. Chegaram em 1988, após anos de turnês initerruptas, exaustos, mas com um senso de dever cumprido. Entretanto, dúvidas e incertezas rondavam a banda...

Para onde se vai, quando se chega ao topo? Você segue requentando canções, posturas, opiniões e ideias? Ou joga tudo pra cima e se arrisca? (Que graça teria a vida sem um pouco de ousadia?). Graças a Deus, o U2 optou pela ousadia.


A primeira medida tomada foi,  ir para a Alemanha em 1991, mais precisamente para os estúdios Hansa, em Berlim, onde nunca haviam gravado, mudar os ares, ou como Bono disse, "se inspirar por aquela sala enorme, onde Bowie, Lou Reed, e outros de nossos heróis estiveram...". Bono disse que, toda e qualquer idéia, por mais maluca que fosse, seria ouvida. A única regra era: Se parecer com U2, não se grava! Dá pra ter noção da coragem e do peito desses caras?

Ok, tudo muito bom, muito legal, mas e aí? As idéias que surgiam eram insuficientes, ninguém conseguia compor, um clima estranho rondava os integrantes, pois o baterista Larry Mullen Jr. estava notoriamente incomodado por certas "experimentações eletrônicas" de Bono e The Edge.

Até que uma noite, Bono e Edge tocando violão no estúdio tem uma ideia e compõem esta que na minha opinião, é uma das obras de arte mais fantásticas do século XX: "One."

                     

Este foi o norte do álbum. A primeira música escrita. Bono nunca esclareceu do que realmente a letra fala, existem duas histórias que frequentemente são apontadas como "verdadeiras". A primeira fala que a música retrata o fim do casamente de 12 anos de The Edge. A outra versão diz que a letra é uma conversa de um filho, morrendo de AIDS, com seu pai repressor, preconceituoso, mas que no leito de morte do filho, pede perdão. Bono sempre diz que acha um horror quando esta música é associada à romantismo, por isso, creio que a segunda versão seja a verdadeira.      
   
O disco já abre te dando uma porrada na orelha... Para quem, assim como eu passou anos ouvindo U2 da fase anos 80, ouvir a música "Zoo Station", de cara é de se estranhar, e muito. A voz distorcida, a letra sarcástica e irônica, parece dizer: "É... Chutamos o pau da barraca mesmo, porra!"

As experimentações com efeitos e timbres novos de guitarra geraram canções como "Even Better Than The Real Thing" e "Mysterious Ways", canções estas que tinham uma ginga, um balanço, que era inimaginável sequer sonhar que o U2 poderia ousar criar.

As melodias de todas as canções são lindas (exceto "Acrobat", que de longe, é a única música dispensável do disco), mas as letras de Bono estavam diferentes, parece que ele tinha aberto mão da inocência, do sonho, e estava mais pé no chão, mais sarcástico, mais ácido... Enfim, o cara mudou, e isto refletiu na arte dele. Ah, isto é um outro "detalhezinho pouco importante"... Para quem é artista, é vital  ser sincero com a sua arte, mas principalmente consigo mesmo, ou como diz a letra de "The Fly": 'Todo artista é um canibal, todo poeta é um ladrão, todos matam sua inspiração e cantam sobre a dor...'.

Letras como a de "Who's Gonna Ride Your Wild Horses", que diz: 'Uma mulher precisa de homem, assim como um peixe precisa de uma bicicleta....' deixam bem claro que a banda tinha revisto e mudado vários de seus conceitos sobre Deus, amor, sexo, vida e morte.

Canções como "Love Is Blindness", "Ultra Violet", "So Cruel", eram estranhas, soturnas, mas apontando que a mudança, ás vezes é boa, tu não deve esquecer do teu passado, e deve-se até mesmo, reverenciá-lo, mas na vida, é vital que sempre se olhe pra frente, que se vislumbre o futuro. Parece que antes, eles eram preto e branco e agora, eram coloridos (sem referência ao Restart, ok?), estavam modernos, no melhor sentido da palavra. Nos shows da turnê do álbum, Bono encarnava o personagem "The Fly", com sua roupa preta, dos pés à cabeça (clara referência à Elvis Presley) e seus óculos de mosca, ou Mr. Machpisto, o Diabo em pessoa!!! Tem noção do que era isto ao vivo?


Sem contar que, a turnê do disco, a "Zoo TV Tour", era um espetáculo à parte, virou referência em como se apresentar ao vivo e como criar palcos magníficos. O palco era um show à  parte (característica mantida até hoje), com iluminação de carros supensos, telões que exibiam frases como: "Tudo que você sabe está errado", "Assista mais TV", "O sucesso roe as unhas do fracasso", dançarinas do ventre entre outras maluquices.


Enfim, o disco é uma marco na carreira do U2, na música em geral (gente como Noel Gallagher considera o disco uma bíblia), e é meu disco preferido do U2 até hoje. É um trabalho divisor de águas, na carreira e na vida dos caras. É uma aula para certos "grupos" como Coldplay, Keane e outras porcarias, que só requentam as mesmas músicas (ruins, por sinal). Eu não me importo de rever conceitos, mas eu tenho de acreditar no que é proposto, eu tenho que comprar a tua idéia, eu preciso ver o sangue nos teus olhos. Eu sou assim. Eu gosto de gente assim. Eu gosto de filmes assim. E eu gosto de música assim.






Um abraço.

sábado, 28 de janeiro de 2012

Trovando sobre: CHICO ANYSIO



O maior humorista brasileiro de todos os tempos é Francisco Anysio de Oliveira Paula Filho.

 Oscarito foi genial, Jô Soares foi fantástico, e Os Trapalhões sensacionais. Chico foi além de todas estas qualidades Por quê? Por quê combinava humor físico com um texto brilhante, por isso Chico é atemporal. Uma piada de Chico sobre o governo de FHC é engraçada ainda hoje! A piada era excelente, ou o país  não mudou tanto assim?

Chico começou a carreira na década de 60,  no Ceará, em Maranguape, sua terra natal e, desde então, vem em mais de 50 anos de carreira,  ativo seja no teatro, ou hoje em dia, em esporádicas aparições na TV.

O diferencial de um humorista como Chico, é que ele não precisava apelar, ser escatológico, ou bancar o revoltado, ofendendo à tudo e a todos. Chico sempre optou pela inteligência, autenticidade e o cinismo. Acho que fazer humor (inteligente, sem ser chato) é uma das coisas mais raras do universo.

Além de ser roteirista, compositor musical, ator e em muitos casos, diretor, Chico tinha outro diferencial... Criava personagens inesquecíveis e de identificação imediata com o telespectador.

Não citarei o personagem "Professor Raimundo", ou a "Escolinha do Professor Raimundo", porquê citar um programa que até hoje faz sucesso em reprises e é descaradamente copiado e reciclado há mais de 50 anos é chover no molhado...

Cito os meus favoritos, entre os mais de 200 tipos criados pelo artista:


Haroldo Hétero, "O Machão"
Nunca vi ninguém imitar um gay melhor que isso. Chico quando interpretava "Haroldo", era rico nos detalhes, coisas como movimentação de braços, pernas e trejeitos característicos.

 Sem contar a "língua presa", as roupas e a "pancinha". Sempre que vejo qualquer quadro com "O Machão", me mato de rir. No DVD "Chico Especial", Haroldo se transforma em Lobo Mau na história da Chapéuzinho Vermelho. Toda vez que meus amigos vem aqui em casa, assistimos. E sempre damos risada!


Alberto Roberto, "Símbalo Sesqual"
O maior ator de todos os tempos. Al Pacino? Principiante. Marlon Brando? Um boçal. Robert De Niro? Feioso. Assim, Alberto Roberto definia seus "discípulos". O típico galã global (Chico tirava sarro dos colegas, do seu empregador, e NINGUÉM, e eu quero dizer NINGUÉM reclamava. Porquê era bem feito, em forma de sátira, mas sem apelar. Sem precisar baixar o nível ou degradar quem quer que fosse...


Silva, "O Bunitim, Cheirosim, e Gostosim"
Silva era um nordestino que fazia um enorme sucesso com mulheres. Chico nunca revelou o motivo (e nem o tamanho) do sucesso. Digamos que Silva, tinha um predicado enooorme, se é que vocês me entendem.... Este é o ponto, não é te entregar a piada pronta, é respeitar a tua inteligência e  saber que tu vais entender a piada. Fazer piada com um tema tão chulo, e ainda assim, ser perspicaz é um feito magistral.


Bozó "da Globo"
Outro tiração de sarro com o seu "patrão", ou a empresa que empregava o humorista. Bozó era uma espécie de office boy, que mentia para a mulherada, dizendo ser "sobrinho do Dr. Roberto", "Diretor de Elenco", "Amigo do Daniel Filho', apenas para levar alguma desavisada para fazer um "teste de elenco", na casa dele. Obviamente, uma alusão aos famosos "testes do sofá", que diversas "atrizes, modelos, cantoras e apresentadoras" enfrentam até hoje...



Coalhada, "O Maior Craque de Todos os Mundos"
O único jogador da história do futebol a jogar um Grenal pelo dois times, e marcar um gol pra cada lado. Jogou o primeiro tempo pelo inter e fez um gol. No segundo tempo, foi ao vestiário do Grêmio, se fardou e empatou o jogo. Detalhe: Bateu o escanteio, correu para a área e fez o gol de cabeça, segundo ele conta. Messi e Pelé, são varzeanos perto da estrela deste craque.






Nazareno  "Calada!"                                                                    

"Nazareeeno.... Calaaaada.... Senta aí!!! Isso não é mulher... Isso é um castigo!"
"Mas... seu Nazareno, por quê o Sr. se casou com a Dona Sofia? Eu tava de porre.... Tomei uma cachaça chamada Pacto com o Demo, e acordei com isso...."
Preciso falar mais?




Poderia ter citado ainda: Justo Veríssimo, Profeta, Dr. Logulo e Dr. Rossetti, Gastão, Olegário Repp, Pantaleão, Tim Tones, enfim, a lista é gigantesca e eu iria ter de escrever uns 509 posts!

Enfim, minha intenção com estas palavras, era prestar um homenagem ao maior cronista do cotidiano brasileiro. Simplesmente adoro o trabalho desse cara, e espero que a Arte que ele criou se perpetue para sempre, pois precisamos dar risada, assim como precisamos de alimentos. Precisamos rir, nem que seja de nós mesmos.




Indico para todos os amigos, este DVD, que traz alguns dos melhores momentos do astro:



Grande abraço. 

sábado, 21 de janeiro de 2012

Trovando sobre: ETTA JAMES

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Eu sou um cara chato. Não como feijão com grão, não gosto de fio na roupa, não suporto leite e ovo, sou impaciente, sou ranzinza, enfim, chato pra várias coisas. Mas em termos de cantoras, eu sou muito chato. Vozes femininas dificilmente me impressionam. Cantoras pra mim, ou são ótimas, e me emocionam ao ponto de não conseguir conversar  escutando - as, ou são uma tremenda porcaria, que só fazem exibicionismo. Etta James era do seleto grupo das ótimas cantoras.

Para o primeiro post do ano, queria começar mais positivo, mais alegre, mas não posso deixar de falar sobre esta cantora soberba e única, que faleceu hoje.

Em primeiro lugar, Etta era o tipo de cantora que podia cantar de tudo, caminhar entre todos os estilos e fazer um trabalho relevante. Gravou desde Frank Sinatra à Guns N' Roses. E com classe.

Etta James começou a carreira por de volta de 1955, e em 1961 gravou seu primeiro álbum, chamado "At Last". Para falar pouco do álbum, é um dos pilares da música popular americana, um obra de arte, que deveria ser obrigatório nas escolas de música do planeta Terra.

Etta James - "At Last

Etta James tinha uma particularidade raríssima em cantoras (es). Ela cantava com o corpo e alma, e o ouvinte sentia com o corpo e a alma, toda a emoção, o rancor, o amor, o erotismo, a raiva, a alegria ou a decepção que ela queria transmitir para quem a ouvisse.

Como um artista pode cantar com todo o corpo e alma? Elvis cantava. Janis Joplin cantava. Elis Regina cantava. Marvin Gaye cantava. Isto é um tipo de entrega que exige duas coisas do intérprete, ou você acredita profundamente no que está cantando, ou você viveu aquilo na pele, passou por aquela experiência, sobreviveu aquilo, e está aqui, de pé para contar.

Etta James cresceu nos anos 40 para 50 nos Estados Unidos, era praticamente analfabeta, negra, filha de prostituta e foi por muitos anos, viciada em heroína. Sem contar as inúmeras desilusões amorosas e problemas de saúde, decorrentes do uso de drogas e obesidade. E ela escrevia e cantava sobre isso com a maior sinceridade. Hoje em dia, as pessoas acham que é uma dádiva ir em um show de música e o "artista" não dublar, ou escrever letrinhas bobinhas de amor ou dorzinha de cotovelo (alguém já leu as letras da Adele?) Etta James sempre atuava na composição de suas letras, melodias e arranjos, e isto, para este tipo de Artista, é uma obrigação. Você recebe pelo que paga.

Quando ouço gente dizendo que Amy Winehouse, Adele, Mariah Carey e outras são "divas", "cantoras extraordinárias", que cantam com "emoção", quase racho de rir. Sério. Em primeiro lugar, estes exemplos, puramente, tentam reciclar o trabalho de Etta de outras, como Bessie Smith, Billie Holiday, Ella Fitzgerald, Patti Labelle, Aretha Franklin e outras artistas originais e matriarcas do estilo sincero de se expressar através de um canção de três minutos. Não condeno quem ouve essas "genéricas", mas que vá se informar, e ouvir a original, o pilar onde essas outras se escoram.

Outra característica marcante de Etta era a diversidade. Etta James gravou jazz, blues, funk, gospel, soul, rock n' roll, heavy metal, standards, bossa nova, sempre com a mesma verdade, com o mesmo coração, com a mesma intensidade, pois se ela interpretava a canção de outro compositor, o arranjo era adaptado para sua performance. Etta era comedida, suave, romântica ou sensual, caso a canção pedisse isso, e sabia subir e descer tons com extremo bom gosto sem precisar ficar se "esgoelando", ou dando berros e fazendo malabarismos vocais para mostrar que alcançava determinada nota. Etta era sentimento verdadeiro, não imposto para emplacar músicas em novelas e filmes.

Em 2008, foi lançado um filme chamado "Cadillac Records" (muito bom, por sinal) que conta a história da gravadora Chess Records, onde Etta gravou vários discos. O filme é recomendado para quem quiser conhecer mais sobre a diva. Beyoncé intrepreta Etta James com muita categoria e competência.

Cadillac Records - 2008

Enfim , eu poderia ficar horas falando sobre esta artista, que é uma das minhas cantoras preferidas de todos os tempos, mas por mais que falasse e tentasse demonstrar toda a minha admiração, todo o meu respeito, toda a minha tristeza pela sua partida, acho que, ainda assim, faltariam argumentos.

Enfim, me despeço ouvindo o trabalho desta cantora admirável e singular na História da Música do século XX.



O céu está mais alegre a partir de hoje.



Tchau.